Acusação inclui sequestro e estupro; defesa aponta contradições e questiona provas
O Tribunal do Júri do Fórum da Comarca de Encantado julga, nesta segunda-feira (27), dois réus acusados de tentativa de feminicídio, sequestro e estupro, em um caso ocorrido nos dias 30 e 31 de janeiro de 2025. A sessão teve início às 9h, presidida pela juíza Vanessa Azevedo Bento, da 1ª Vara Judicial, e deve se estender ao longo do dia devido à gravidade das acusações.
A vítima, de 24 anos, não teve a identidade divulgada em razão da natureza dos fatos investigados. Os réus são Hélio Henrique Santos Hennika, de 36 anos, e Bruno Cassanelli, de 26.
Hennika responde por tentativa de feminicídio qualificada, com agravantes como emprego de tortura e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de dois episódios de sequestro, estupro coletivo e violação de domicílio qualificada. Já Cassanelli também responde por tentativa de feminicídio com as mesmas qualificadoras, além de dois crimes de sequestro e estupro coletivo.
O Ministério Público é representado pelo promotor de Justiça Heráclito Mota Barreto Neto, responsável pela acusação. A defesa de Hennika é conduzida pelos advogados Sandra Pinheiro, Israel de Borba e Carolina Toigo.
Antes do início do julgamento, a defesa apontou fragilidades na investigação e divergências nos depoimentos. “Ele é um processo onde tem muita contradição por parte das testemunhas. Não tem prova, tem muitas alegações que estão sendo feitas sem nenhuma prova material ou testemunhal que corrobore. A defesa vem trabalhando para elucidar o que de fato ocorreu. Se houver condenação, que seja de acordo com os fatos efetivamente comprovados”, afirmou a advogada Sandra Pinheiro.
O advogado Israel de Borba também criticou a condução do inquérito. “O inquérito foi muito mal instruído, não buscaram provas nos arredores, no próprio local do fato. É dever do Estado apurar isso. Não negamos totalmente os fatos, mas vamos buscar a desclassificação de parte das acusações”, declarou.
Foto: Cesar Husak
