Whatsapp
MIX GENTE

Sapataria do Chico mantém tradição familiar há 38 anos em Encantado

Sapataria do Chico mantém tradição familiar há 38 anos em Encantado
  • Publicadojulho 3, 2026

Fundada por Francisco Raimundo Boiani em 1988, empresa segue no mesmo endereço e prepara a continuidade do trabalho entre familiares

O que começou como um trabalho artesanal em couro ainda na juventude transformou-se em um dos negócios mais tradicionais de Encantado. Há 38 anos, a Sapataria do Chico atende clientes na Rua Coronel Sobral, nº 2105, no centro da cidade, mantendo-se no mesmo endereço desde a fundação. Criada por Francisco Raimundo Boiani, de 62 anos, a empresa consolidou-se na prestação de serviços de conserto de calçados e artigos em couro e hoje conta com a participação do sobrinho, Paulo Cesar Boiani, de 39 anos, e do filho, Matheus Boiani, de 29, reforçando o caráter familiar do empreendimento. 

A história começou antes mesmo da abertura da sapataria. Ainda estudante, Francisco desenvolvia trabalhos artesanais em couro durante as aulas de Técnicas Industriais, confeccionando bolsas, cintos, chinelos e outros produtos que acabavam sendo vendidos aos próprios professores. Mais tarde, enquanto trabalhava na antiga Cosuel, atual Dália Alimentos, passou a produzir aventais em casa. 

O retorno financeiro dos trabalhos paralelos logo superou o salário como funcionário, motivando a abertura da sapataria. “Comecei a ganhar mais dinheiro dos meus trabalhos do que trabalhando de funcionário, e deu a oportunidade de abrir uma pequena sapataria. Foi o começo de tudo”, recorda. Desde então, segundo ele, nunca faltou serviço. “Hoje ainda estou aprendendo alguma coisa, porque ninguém sabe tudo”.

Tradição atravessa gerações e acompanha mudanças da profissão 

Ao longo das quase quatro décadas, a profissão também evoluiu. Francisco explica que os calçados deixaram de ser produzidos predominantemente em couro e passaram a utilizar novos materiais, exigindo diferentes técnicas, equipamentos e tipos de cola. Apesar das mudanças, a essência do trabalho permanece a mesma: recuperar peças e prolongar sua vida útil. A fidelidade dos clientes é uma das marcas da empresa. “Tenho bastante clientes que, desde quando comecei, ainda estão comigo”. 

Há 25 anos na sapataria, Paulo chegou ao negócio por acaso, após aceitar um convite do tio para ajudar em uma limpeza geral do estabelecimento. A ideia era permanecer apenas uma semana, mas ele nunca mais saiu. Atualmente, além do conserto de calçados, trabalha na recuperação de malas, mochilas, bolas, estofados automotivos e outros artigos em couro. 

Segundo ele, o inverno é o período de maior movimento. “No primeiro frio todo mundo tira o que está no roupeiro e quer arrumar para usar”. Para Paulo, a escassez de profissionais garante futuro à atividade. “Sapateiro é uma profissão quase em extinção. Querendo trabalhar, serviço sempre vai ter”. 

O interesse pelo ofício também surgiu cedo para Matheus. Frequentando a sapataria desde a infância, ele começou a trabalhar efetivamente por volta dos 20 anos. “Sempre gostei. Eu vinha aqui quando era pequeno, ajudar o pai, e hoje gosto do que faço”. 

Para Francisco, ver familiares dando continuidade ao trabalho representa a realização de um desejo construído ao longo da vida. “Os clientes estão aí, está tudo organizado para seguir em frente. Praticamente fica dentro da família”, afirma esperançoso.

Texto e fotos – César Husak

-+=