Gabriel aposta na continuidade da reconstrução e promete acelerar projetos no Vale
Candidato do MDB ao Governo do Estado defende concessões com tarifas “justas”, fortalecimento dos hospitais regionais e afirma que eventual gestão terá prioridades próprias
Vice-governador e integrante da atual administração estadual, Gabriel Souza (MDB) chega à disputa pelo Palácio Piratini defendendo a preservação de políticas que considera bem-sucedidas, mas afirma que um eventual mandato não será uma repetição do governo Eduardo Leite.
No quadro No Comando – Os Desafios de Governar, do Jornal Opinião, o candidato falou sobre reconstrução do Vale do Taquari, concessões rodoviárias, saúde, desenvolvimento regional e as prioridades que pretende estabelecer a partir de 2027. “Não será um terceiro governo Eduardo Leite. Será o governo Gabriel e Ernani 1, com as nossas prioridades e o nosso jeito de governar”, afirma. Ao mesmo tempo, Gabriel rejeita uma ruptura completa com a atual administração. “Vamos preservar o que deu certo, corrigir o que precisa melhorar e acelerar aquilo que ainda não avançou na velocidade que a população espera.”
Entre as prioridades citadas estão redução das filas da saúde, ampliação do Ensino Médio em Tempo Integral e do Ensino Técnico, combate ao feminicídio e melhorias na infraestrutura.
Reconstrução do Vale
A relação de Gabriel com o Vale do Taquari ganhou destaque na entrevista. O candidato recorda que, durante as enchentes de 2023, permaneceu por um período na região e passou a despachar em Encantado, onde coordenou o gabinete de crise. Em 2024, voltou a atuar diretamente no Vale a partir de uma estrutura instalada em Lajeado.
Gabriel cita entre os projetos em andamento a Ponte dos Vales, com investimento superior a R$ 300 milhões, o novo acesso a Estrela, intervenções em escolas e o Centro Regional de Defesa Civil. “Meu compromisso é acelerar essas entregas. Uma troca completa de rumo, de equipes e de projetos inevitavelmente atrasaria a reconstrução.”
O candidato também defende que as novas estruturas sejam projetadas considerando eventos climáticos mais severos. A proposta envolve atualização dos mapas de risco, novos padrões de engenharia, ampliação das estações de monitoramento e regionalização da Defesa Civil. “Não basta avisar uma vez. É necessário manter uma jornada permanente de alertas e orientação à população”, afirma.
Concessões e pedágios
Em relação às rodovias, Gabriel defende a utilização de concessões. Segundo ele, o orçamento estadual e a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) não possuem, sozinhos, capacidade para executar todos os investimentos necessários.
Ao abordar o Bloco 2 de concessões, que envolve rodovias do Vale do Taquari e de outras regiões, o candidato lembra que o projeto previa cerca de R$ 6 bilhões em obras e aporte de R$ 1,5 bilhão do Estado para reduzir as tarifas, mas não recebeu propostas no leilão.
Gabriel defende agora a revisão do projeto e reconhece a relação entre quantidade de obras e preço do pedágio. “Não podemos escolher entre rodovias ruins e pedágios excessivos. Precisamos de estradas seguras, obras realizadas e tarifas justas”, sustenta.
Saúde regionalizada
Outro compromisso apresentado é ampliar o SUS Gaúcho, com previsão de mais de R$ 5 bilhões ao longo de quatro anos e metas para reduzir filas de consultas, exames, cirurgias e tratamentos especializados.
Gabriel também pretende aperfeiçoar o Programa Assistir e ampliar serviços de média e alta complexidade no interior. A proposta inclui fortalecer hospitais regionais, filantrópicos e Santas Casas, além de integrar sistemas, prontuários eletrônicos, telemedicina e gestão regional das filas. “Regionalizar a saúde significa fortalecer os hospitais regionais, filantrópicos e as Santas Casas para que as pessoas possam ser atendidas perto de casa, sem precisar viajar até Porto Alegre ou outros grandes centros.”
Desenvolvimento e oportunidades no interior
Para enfrentar as diferenças entre as regiões e reter jovens qualificados, Gabriel aposta na combinação entre educação profissional, atração de investimentos e infraestrutura.
Uma das principais propostas é o programa Profissão na Mão, que prevê 80 mil novas vagas no ensino técnico, com cursos definidos conforme as vocações econômicas e necessidades de cada região.
No interior, o candidato também promete investimentos em acessos, energia trifásica, conectividade e irrigação. “Desenvolvimento regional não se faz com uma única medida. É infraestrutura, educação, segurança jurídica e apoio a quem produz trabalhando juntos.”
Primeiros passos de um eventual governo
Caso assuma o Estado em janeiro de 2027, Gabriel estabelece saúde, educação e segurança como prioridades dos primeiros 100 dias. Na saúde, pretende iniciar a ampliação do SUS Gaúcho; na educação, implementar o Profissão na Mão e acelerar o ensino em tempo integral; e, na segurança, ampliar ações de proteção às mulheres e combate ao feminicídio.
Ao final de quatro anos, estabelece entre as metas 80 mil novas vagas no ensino técnico, 50% dos estudantes do Ensino Médio com formação profissional até 2030, ampliação da capacidade dos hospitais regionais e redução das filas na saúde. “Governar é conhecer os problemas, estabelecer prioridades e entregar resultados. Eu conheço o Estado, conheço os projetos e sei o que precisa ser feito”, conclui.
Foto: Arthur Vargas
