“Encantado precisa discutir que cidade quer ser nos próximos anos”, afirma Marcos Cadore
Presidente do PT de Encantado fala sobre o cenário político e os rumos do partido no município
O quadro No Comando – Os Desafios de Governar, do Jornal Opinião, inicia uma série de entrevistas com os presidentes dos partidos políticos de Encantado. A proposta é apresentar a visão das siglas sobre política, desenvolvimento e os desafios do município. O primeiro entrevistado é Marcos Cadore, presidente do PT de Encantado. As respostas refletem exclusivamente o posicionamento do entrevistado.
JO: Quais são hoje os maiores problemas do Brasil e do Rio Grande do Sul na sua visão? Por quê?
Cadore: “O maior problema do Brasil continua sendo a desigualdade social. Somos um país com potencial econômico, mas ainda convivemos com milhões de pessoas sem acesso pleno a direitos básicos e oportunidades.
No Rio Grande do Sul, preocupa a continuidade de políticas neoliberais que enfraqueceram o papel do Estado e levaram à privatização de patrimônios estratégicos, como a Corsan e a CEEE. Acreditamos que serviços essenciais devem estar a serviço da população e não da lógica do lucro.
Na nossa região, também é impossível ignorar o gargalo histórico das rodovias RS-129 e RS-130. Enquanto se discute desenvolvimento, seguimos enfrentando problemas de infraestrutura que limitam o crescimento econômico e colocam em risco a segurança de quem utiliza essas estradas diariamente.”
JO: Qual é o perfil de liderança ideal para governar o Estado e o país hoje?
Cadore: “Acredito que o momento exige lideranças comprometidas com o desenvolvimento econômico, a justiça social e a reconstrução da capacidade de planejamento do Estado. Precisamos de governantes que dialoguem com a sociedade, valorizem os serviços públicos e tenham sensibilidade para compreender as necessidades da população.
Nesse sentido, vejo com bons olhos a aproximação entre o PT e o PDT no Rio Grande do Sul. A decisão do companheiro Edegar Pretto de retirar sua pré-candidatura demonstra maturidade política e compreensão do momento que estamos vivendo. A pré-candidatura de Juliana Brizola representa a possibilidade de construir uma frente ampla entre forças populares e trabalhistas em torno de um projeto de desenvolvimento para o Estado.
Mais do que uma discussão eleitoral, trata-se de construir unidade em torno de um projeto capaz de enfrentar os problemas do Rio Grande do Sul e, ao mesmo tempo, fortalecer o campo democrático e popular para a reeleição do presidente Lula.
JO: O Brasil vive um cenário de forte polarização política. Como o partido enxerga esse momento?
Cadore: “A polarização é uma realidade da democracia e, em muitos momentos, reflete projetos diferentes para o país. O problema não está na divergência de ideias, mas quando o debate político é substituído pela intolerância, pela desinformação e pelos ataques às instituições democráticas.
O caminho para o diálogo passa pelo respeito às diferenças, pelo fortalecimento da democracia e pela discussão dos problemas concretos da população.”
JO: Pensando na relação entre política municipal, estadual e nacional, quais serão os principais desafios dos municípios nos próximos anos?
Cadore: Os municípios gaúchos enfrentam o desafio de reconstruir suas comunidades após as enchentes e, ao mesmo tempo, preparar-se para eventos climáticos cada vez mais frequentes. Nesse cenário, é preciso reconhecer o papel decisivo do governo do presidente Lula, que garantiu recursos para habitação, reconstrução de pontes, apoio às empresas, escolas, creches e recuperação da infraestrutura em diversas cidades do Rio Grande do Sul.
Em Encantado, por exemplo, os investimentos federais estão presentes em áreas fundamentais para a reconstrução e o desenvolvimento do município. Muitas vezes, porém, esses recursos chegam e são utilizados sem que o devido reconhecimento seja dado ao governo Lula que os viabilizou.
Os principais desafios para os próximos anos serão justamente reconstruir com mais planejamento, preparar os municípios para os impactos das mudanças climáticas, fortalecer os serviços públicos e criar condições para o desenvolvimento regional. Isso exige cooperação entre os entes federativos e a manutenção de investimentos públicos capazes de melhorar a vida das pessoas.
JO: Como o partido avalia o atual momento da sigla no município?
Cadore: “O Partido dos Trabalhadores vive um momento de reorganização e fortalecimento em Encantado. Mesmo em um cenário político historicamente desafiador para o campo progressista na região, o partido mantém sua atuação, amplia o diálogo com a comunidade e segue defendendo pautas ligadas ao desenvolvimento, à justiça social e à participação popular.
Nos próximos anos, nosso objetivo é fortalecer ainda mais a presença do partido no município e construir uma alternativa política para Encantado. O PT terá candidatura própria nas próximas eleições municipais, não apenas para disputar um cargo, mas para apresentar um projeto de cidade, debater ideias e contribuir para o futuro do município.”
JO: Que trabalho o partido vem realizando no município e quais resultados entende que merecem destaque?
Cadore: “O Partido dos Trabalhadores tem atuado em Encantado na defesa da democracia, das instituições e do projeto de reconstrução do Rio Grande do Sul.
Também temos cumprido nosso papel de promover o debate público e cobrar transparência em temas de interesse da comunidade, especialmente em relação à gestão da água.
Entendemos ainda que faz falta ao Legislativo municipal uma representação do PT, para ampliar o debate de ideias, fortalecer a fiscalização e defender pautas ligadas aos trabalhadores e aos serviços públicos.”
