Zucco promete rever modelo de pedágios e coloca infraestrutura e resiliência entre prioridades para o Vale
Candidato ao governo do Estado defende investimentos em logística, fortalecimento da Defesa Civil e dos hospitais regionais e afirma que pretende adotar critérios de resiliência nas obras públicas
O deputado federal Luciano Zucco (PL), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, coloca infraestrutura, qualificação profissional e melhoria do ambiente de negócios entre as prioridades de seu projeto. Para o Vale do Taquari, defende ainda a revisão do modelo de concessões rodoviárias, o fortalecimento da Defesa Civil e dos hospitais regionais e investimentos em resiliência.
Em entrevista ao No Comando – Os Desafios de Governar, do Jornal Opinião, Zucco apresentou suas propostas para o Estado, avaliou a atual gestão e defendeu uma atuação mais efetiva do governo para recuperar a competitividade e estimular o desenvolvimento gaúcho. “Quero ser governador para devolver o protagonismo ao Rio Grande. Há 20 anos somos o Estado que menos cresce no Brasil”, afirmou.
Segundo ele, a perda de oportunidades tem levado gaúchos a buscar espaço profissional e empresarial em outras regiões do país. “Queremos criar as condições para que o gaúcho volte a se orgulhar desta terra e tenha muitas razões para trabalhar e construir as suas memórias aqui.”
Infraestrutura, educação e ambiente de negócios
Zucco aponta três frentes como centrais para uma eventual gestão: infraestrutura, formação de capital humano e melhoria do ambiente de negócios. Na área fiscal, pretende controlar gastos e discutir um novo modelo para a dívida do Estado com a União. Também defende um “choque” de infraestrutura, maior ênfase no ensino técnico e assume o compromisso de não aumentar impostos.
Ao avaliar a atual administração estadual, reconhece avanços e descarta uma ruptura completa. “Não faremos ‘terra arrasada’. Há programas interessantes que podem ser aprimorados. Reformas importantes foram feitas”, declarou. Apesar disso, considera os resultados insuficientes e critica a articulação em Brasília e o diálogo com os municípios. “Vejo muita propaganda, pouca entrega e bastante conformismo. Nosso governo será de diálogo e de ação.”
Resiliência depois das enchentes
Para uma região profundamente atingida pelas enchentes, Zucco defende que prevenção e adaptação aos eventos climáticos extremos integrem o planejamento estadual. Entre as medidas, cita o fortalecimento da Defesa Civil, protocolos integrados de atuação, revisão de zoneamentos, realocação de moradias em áreas de risco e investimentos em diques, drenagem urbana e desassoreamento de rios. “É preciso transformar o Rio Grande em um canteiro de obras”, afirmou.
Para o Vale do Taquari, o candidato promete adotar critérios de resiliência nas obras de infraestrutura e fortalecer as Defesas Civis municipais. “A Defesa Civil dos municípios do Vale, que tanto sofre com as cheias, vai ser fortalecida e se tornará um exemplo para o país”, projetou.
BR-386 entra nas prioridades
Ao tratar da infraestrutura do Vale do Taquari, Zucco aponta a melhoria das rodovias e o avanço das duplicações como prioridades. O candidato cita a BR-386, especialmente o trecho entre Marques de Souza e Fontoura Xavier, e defende maior articulação política do Estado em Brasília para acelerar as obras.
Segundo Zucco, a duplicação poderá ter sua conclusão postergada para 2033. “É muito tempo. O governo tem que estar em cima desses processos, cobrando o tempo todo”, afirmou. Para o candidato, os gargalos logísticos elevam os custos e comprometem a competitividade da economia regional.
Zucco promete rever modelo de pedágios
Um dos pontos em que Zucco promete mudanças é o modelo de concessões rodoviárias. O candidato afirma não ser contrário à participação da iniciativa privada, mas considera inadequada a modelagem apresentada pelo atual governo para rodovias estaduais.
Segundo ele, a proposta para as ERS-128, ERS-129 e ERS-130 atingiria nove municípios da região e resultaria em tarifas elevadas para os usuários. Zucco também atribui à modelagem a ausência de interessados no processo. “O modelo era tão ruim que não apareceram interessados. As próprias empresas não quiseram. Vamos rever isso”, afirmou.
Entre as alternativas defendidas pelo candidato está a realização de aportes públicos iniciais para viabilizar obras consideradas prioritárias antes ou durante o processo de concessão.
Zucco também afirma que pretende estudar uma modelagem inspirada na experiência do Paraná, combinando rodovias federais de maior fluxo com estaduais de menor movimento dentro das concessões. A definição de um novo formato, segundo ele, deverá ocorrer com participação dos municípios. “Sem arrogância e em diálogo com os municípios”, resumiu.
Hospitais regionais e telessaúde
Na saúde, Zucco defende a regionalização dos atendimentos e o fortalecimento dos hospitais de referência. Segundo o candidato, as filas por consultas no Estado chegariam a 600 mil pessoas, com pacientes aguardando até seis anos por determinados exames. “Tem gente esperando até seis anos pra fazer um exame de sangue”, declarou.
Como alternativas, propõe linhas de crédito e bonificação por resultados para hospitais regionais, além da ampliação da telessaúde, com o objetivo de reduzir deslocamentos, facilitar atendimentos de menor complexidade e acompanhar pacientes com doenças crônicas.
Turismo precisa de governança
Zucco defende maior integração entre Estado e municípios para fortalecer o turismo, com estímulo a consórcios, calendários regionais de eventos, integração com a rede hoteleira e qualificação profissional. “Turismo exige governança”, afirmou.
No Vale do Taquari, destacou as feiras e o Cristo Protetor de Encantado entre os principais ativos turísticos e defendeu ampliar a divulgação da região para atrair mais visitantes.
“Vale estará no centro do programa de segurança e Defesa Civil”
Questionado sobre qual compromisso específico poderia assumir com o Vale do Taquari, Zucco voltou às consequências das enchentes e colocou segurança climática entre as prioridades para a região. “O Vale do Taquari está no centro do nosso programa de segurança e Defesa Civil. As obras de infraestrutura terão de adotar critérios de resiliência”, afirmou.
Para o candidato, reconstrução, prevenção e desenvolvimento econômico precisam caminhar juntos. A estratégia apresentada é utilizar investimentos em infraestrutura e preparação para eventos extremos também como instrumentos para recuperar a confiança de quem vive, trabalha ou pretende investir na região. “Traremos segurança climática e, com isso, faremos com que a confiança em investir e em trabalhar aqui aumente. Assim, traremos ainda mais desenvolvimento para esta região”, concluiu.
