Professor, músico e patrono do 13º Encontro Farroupilha de Encantado fez da música uma herança compartilhada entre filhos, netos e centenas de alunos
Há histórias em que a música vai além das melodias. Ela se transforma em elo entre gerações, fortalece laços familiares e perpetua valores. A trajetória do professor, músico, maestro Mauri José Horn, de Encantado, evidencia isso.
Aos 77 anos, Mauri soma mais de seis décadas dedicadas à música. A relação com a música começou na infância e continua até hoje, passando para os filhos e netos o legado e também ao longo dos anos para dezenas de alunos.
É casado há 54 anos com Terezinha De Borba Horn, pai de Tânia, Tatiane e Maurício (mais conhecido por Gaita) e avô de Guilherme, Eduarda, Gabriela, Pedro, Rita e Luzia. Recentemente, escolhido patrono do 13º Encontro Farroupilha de Encantado (evento que será realizado de 11 a 20 de setembro, no Parque João Batista Marchese). O título reconhece uma trajetória construída entre salas de aula, bailes, festivais e apresentações.
O primeiro incentivo veio do pai
A paixão de Mauri Horn pela música nasceu ainda na infância. Filho de Artur e Otilia Horn, recebeu do pai uma gaita de boca como presente de Natal quando era criança e, quando tinha dez anos, viu um gesto que mudaria sua trajetória: Artur trocou uma junta de bois por uma gaita de 80 baixos para que o filho pudesse aprofundar os estudos. “Eu e meus irmãos ajudávamos o pai na roça e, quando estávamos liberados, corríamos para casa para ver quem chegava primeiro para tocar a gaita”, relembra.
O incentivo também vinha da mãe. “Ela dizia para estudar bastante música, porque as pessoas iriam gostar.” A tradição musical, porém, já fazia parte da história da família: o bisavô de Mauri, pai da avó paterna Ida Hoppen, era professor de violino, reforçando um legado que atravessou gerações.
Aos dez anos, iniciou seus estudos musicais e, apenas cinco anos mais tarde, aos 15, formou-se pelo Instituto Musical Mascarenhas. Após passou a integrar o grupo de professores da instituição.
Ao longo da carreira, ministrou aulas em dezenas diversos municípios da região, inclusive Venâncio Aires, Vera Cruz, Santa Cruz do Sul e Porto Alegre. “Estudei bastante teoria musical para poder tocar qualquer instrumento”, comenta. Além disso, percorreu o Rio Grande do Sul como músico de baile, integrando grupos como Os Tropicais, Os Grenais, Copacabana, Superfive, Pealo, Os Tauras e Caribe Show. Também foi maestro da Orquestra Municipal de Encantado, atuou como professor da Casa da Cultura de Muçum e atualmente integra o grupo de cantoria italiana San Piero de Muçum, além de ministrar aulas na Casa Sete, em Encantado, e ser regente da Orquestra de Acordeões, que teve início este ano.
O legado para os filhos e netos
Se a música sempre esteve presente na vida profissional de Mauri, dentro de casa ela ganhou um significado ainda maior. Naturalmente, os filhos cresceram cercados por instrumentos musicais. Mauri fazia questão de acompanhar de perto o aprendizado de cada um. Todos os dias havia horário reservado para os ensaios. Quando identificava algum erro, orientava e corrigia.
“Minha riqueza são os meus filhos e netos, que são a nossa alegria, tanto para mim como para minha esposa”, afirma ao falar da família. Para ele, a paternidade sempre foi um sonho. “É uma realização ser pai. Quando eu tinha 12 ou 13 anos já pensava que gostaria de ter filhos”, recorda.
Mauri conta que as reuniões familiares eram marcadas por festas, especialmente junto à família De Borba, da esposa. “Parecia uma festa de comunidade, e o gaiteiro era sempre eu”, relembra ao destacar que a família sempre foi bastante unida.
Um dos episódios marcantes em relação aos filhos aconteceu quando Maurício decidiu participar do Festival Estadual Gaúcho de Arte e Tradição (Fegart), em Farroupilha. Sabendo do potencial do filho, Mauri fez um desafio. “Pode participar, mas tem que trazer o primeiro lugar.” Durante os ensaios, acompanhou cada detalhe da preparação. O incentivo deu resultado: Maurício conquistou o primeiro lugar na competição. A lembrança ainda emociona o pai.
“O que eu sempre tentei passar aos meus filhos foi serem honestos.” Para ele, a música também representa qualidade de vida. “A música rejuvenesce a pessoa e faz muito bem.”
O sentimento se estende aos alunos. Ao longo de décadas de atuação, Mauri formou músicos, professores e novas gerações de instrumentistas. “Muitos músicos da região foram meus alunos, alguns hoje são professores. Também netos de antigos alunos fizeram aula comigo”, conta.

