A história de Sérgio Seppi com o Jornal Opinião começou em março de 1972, quando tinha 18 anos. O convite para escrever a coluna de assuntos gerais “Destaques” veio de Sérgio Bagestan, colunista de esportes, que conversou com Olavo Carlos Wagner, então proprietário do jornal.
Seppi trabalhava no escritório da Dália Alimentos, em Encantado, e encontrou na escrita o início de uma trajetória que permanece até hoje. Mais tarde, após deixar a cooperativa, trabalhou por um ano na Prefeitura de Encantado, ao lado do prefeito Evaldo Zílio. Nesse período, o Opinião foi adquirido por Altamir Gomes e Adilar Borghetti. Com a mudança de Adilar para o Paraná, Seppi, a convite de Altamir, passou a atuar mais diretamente na área editorial, na função de editor-chefe.
Paralelamente, iniciou Letras na Fuvates, hoje Univates, e posteriormente transferiu-se para a Unisinos, onde cursou Jornalismo. Para concluir a formação, mudou-se para Porto Alegre e deixou de atuar diretamente no jornal, mas continuou colaborando com artigos e colunas.
“O Opinião não faz parte só da minha vida, mas de todos nós”, afirma. “São mais de cinco décadas ininterruptas de circulação”, destaca ao evidenciar a importância do periódico para Encantado e região.
A experiência no jornalismo do interior abriu novas portas. Seppi foi dirigente da Associação dos Jornais do Interior do Rio Grande do Sul (Adjori) e, posteriormente, secretário executivo da entidade por dois anos. Também foi convidado a estruturar um serviço de imprensa da Assembleia Legislativa do Estado voltado aos veículos do interior, especialmente rádios e jornais.
Sua trajetória ainda inclui passagem pela sucursal da Voz do Brasil, em Porto Alegre, pela TV Guaíba, na área de esportes, e trabalhos de assessoria política. Em 1987 e 1988, acompanhou em Brasília os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte. Também estudou na Universidade do Sagrado Coração, em Milão, na Itália, com bolsa do governo italiano.
Na Fiergs, trabalhou por 25 anos e, depois, atuou durante dois anos como assessor no Tribunal de Contas do Estado, na gestão de Alexandre Postal. Apesar das diferentes experiências, nunca deixou de lado a ligação com sua terra natal. “Todo lugar que eu trabalhei e andei, todo mundo sabia que eu era de Encantado”, menciona.
Um olhar além do local
Atualmente Seppi tem a coluna “Outsider” no Jornal Opinião, dedicada principalmente à política. A experiência acumulada como jornalista e assessor político ajuda a construir uma análise que ultrapassa os acontecimentos locais. Procura mostrar como decisões estaduais e nacionais também interferem na vida das pessoas nos municípios. “Procuro na coluna às vezes fugir um pouco do local. Na minha coluna procuro fazer algumas avaliações e análises com base nessa experiencia, principalmente na política. Tudo o que decidem na política estadual e também nacional, direta ou indiretamente nos afetam. Não podemos deixar de lado as nossas preocupações locais, mas trazer essa visão macro”.
Para ele, o jornal exerce uma função que vai além de informar. “O jornal é um espelho da comunidade. E o Opinião tem mantido isso.” Na avaliação de Seppi, a longevidade do periódico está justamente na cumplicidade com a população. “A essência do Opinião que mantém a sua longevidade é exatamente isso, essa cumplicidade com a comunidade. Não se omite quando precisa retratar uma crítica, quando provoca um debate e elogiar quando precisa.”
Aos 72 anos, sua trajetória praticamente acompanha a história do jornal. Mesmo nos períodos em que esteve distante da redação, permaneceu ligado ao Opinião e a Encantado. Para Seppi, o Opinião representa memória, pertencimento e o início de sua profissão. “Foi aqui que eu comecei”, diz com carinho.
