Amigas, mães e sócias, Mara e Ediana compartilham uma trajetória marcada por desafios, superação e um profundo amor aos filhos
Em cada história de maternidade há um universo único. Algumas chegam com leveza, outras são construídas entre lágrimas, incertezas e muita fé. No caso de Mara De Bortoli e Ediana Sangalli, o caminho até a maternidade foi longo — mas também transformador.
Amigas e sócias, elas compartilham não apenas o trabalho na floricultura, mas uma história de vida que se entrelaça na perseverança e na esperança.
Os milagres que nasceram antes do tempo
Mara é mãe de três filhos: as gêmeas Gabriela e Rafaela, hoje com 24 anos, e Miguel, de 15. Mas a chegada das meninas foi tudo, menos simples. Após recorrer à inseminação artificial, Mara engravidou na segunda tentativa. Desde o início, a gestação foi considerada de alto risco. “Eu tive sangramento desde o primeiro dia”, relembra.
Com 16 semanas, veio um dos momentos mais delicados: a bolsa rompeu. Internada em Porto Alegre, no Hospital Mãe de Deus, Mara enfrentou meses de incerteza. Mesmo diante do risco de infecção, conseguiu prolongar a gestação até as 26 semanas. Gabriela e Rafaela nasceram prematuras — com apenas 930 e 770 gramas, respectivamente. Passaram quatro meses na UTI neonatal.
“Foram meses de muita preocupação. Um dia estavam bem, no outro não. Mas elas eram muito fortes”, conta a mãe. O momento mais marcante, segundo Mara, não foi apenas o nascimento, mas a saída do hospital sem as filhas nos braços, quatro dias após o nascimento, pois ela havia ganhado alta, mas as filhas estavam na UTI neonatal. “Aquele dia para mim foi um momento muito forte. Quando embarquei no carro, foi um momento que me marcou muito”, diz emocionada. Ela alugou um apartamento próximo ao hospital para estar presente diariamente. Ficava o dia inteiro na UTI, dava de mamar, acompanhava as filhas, só ia para o apartamento para dormir um pouco.
Persistir até o sonho acontecer
Se a história de Mara é marcada por um milagre precoce, a de Ediana Sangalli é um exemplo de persistência ao longo dos anos. Foram 14 anos tentando engravidar. Três tentativas de inseminação artificial sem sucesso. Somente na quarta, por meio da fertilização, veio o tão esperado positivo.
Mas os desafios estavam longe de acabar. Ediana enfrentou uma gestação de alto risco, com diagnóstico de placenta prévia e trombofilia — condição que afeta a coagulação do sangue e pode dificultar a gestação. “Quando descobri a gravidez, achei que estava tudo resolvido. Mas ali começaram outros desafios”, relata.
Durante grande parte da gestação, precisou ficar em repouso. Nos dias que antecederam o parto, ficou internada no Hospital Beneficente Santa Terezinha de Encantado para controle rigoroso de exames e suspensão de medicações. Houve momentos críticos. “Teve uma noite que o bebê parou de mexer. Foi quando decidiram fazer o parto”, conta relatando que apesar da preocupação deu tudo certo. Cícero nasceu de cesariana, com 36 semanas. Hoje, aos 14 anos, é motivo de orgulho e gratidão. “Era tudo para dar errado, mas quando é da vontade de Deus, não existe impossível”, afirma Ediana.
Amizade que sustenta e inspira
As histórias das duas não caminham separadas. Em muitos momentos, uma foi apoio fundamental para a outra. Mara relembra de quando incentivou a amiga a continuar tentando. “Eu disse: vai tentando. Se for para acontecer, vai acontecer.” Anos depois, Ediana reconhece a importância desse incentivo: “Eu tive o Cícero porque a Mara me disse para não desistir.”
Na época, curiosamente, enquanto Ediana enfrentava mais uma tentativa, Mara engravidou de Miguel — de forma natural e inesperada. “Eu pensei: meu Deus, e agora? Porque quem passa por esse processo sabe como é difícil ver alguém engravidar. Mas foi algo que simplesmente aconteceu”, conta Mara, que pensava que nunca mais poderia engravidar.
Em comum, além das dificuldades, há a fé. Ambas destacam que acreditar foi essencial em cada etapa. As famílias, vizinhos e amigos também tiveram papel fundamental. Orações, visitas e apoio emocional ajudaram a enfrentar os dias mais difíceis. “É só Deus na causa”, resume Mara. Ediana comenta que os períodos de repouso ensinaram paciência, resiliência e a compreender que cada processo tem seu tempo.
Hoje, ao olhar para trás, elas enxergam mais do que desafios superados — veem o sentido da vida materializado nos filhos. “Ser mãe é entender o que é amar alguém de verdade”, diz Mara. “É descobrir o sentido da vida e o milagre que ela é”, completa Ediana.
Uma história que floresceu
A parceria entre Mara e Ediana também se consolidou no trabalho. Juntas, fundaram a floricultura Cia do Jardim, que nasceu de forma simples, apenas com serviços de jardinagem. Com o tempo, o negócio cresceu, ganhou espaço físico e se expandiu, acompanhando o desenvolvimento do turismo em Encantado. Hoje, além da floricultura, também investem em experiências como o Jardim dos Sentidos, atraindo visitantes e fortalecendo o empreendimento.
As filhas de Mara, Gabriela e Rafaela, participam ativamente do negócio, ajudando no atendimento, organização e também nas redes sociais da empresa. Gabriela irá se formar neste ano em Administração e Rafaela em Publicidade e Propaganda no ano que vem.
Uma mensagem para outras mulheres
Com histórias tão intensas, Mara e Ediana deixam um recado para quem enfrenta dificuldades semelhantes: “Se está no teu coração, não desiste. Continua tentando”, diz Ediana. Mara reforça:
“O emocional conta muito. É preciso cuidar disso também. E não desistir — porque se eu tivesse desistido, não teria minhas filhas. Claro, que às vezes realmente a pessoa não consegue e vai sentir o momento, quando é hora de parar ou de buscar outra alternativa.”
Entre perdas, medos e conquistas, a trajetória das duas mostra que a maternidade vai muito além do nascimento: é um exercício diário de amor, coragem e fé. E, como elas mesmas dizem, quando é para ser… simplesmente acontece.
Foto: Gisele Feraboli
