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ESPECIAL 55 ANOS DO JORNAL OPINIÃO: Gratidão: 35 anos de histórias, estradas e encontros no Jornal Opinião

ESPECIAL 55 ANOS DO JORNAL OPINIÃO: Gratidão: 35 anos de histórias, estradas e encontros no Jornal Opinião
  • Publicadoagosto 21, 2026

Há mais de três décadas, Neucir Francisco Bigolin chegou a Encantado por um convite que, inicialmente, parecia improvável. Na época, trabalhava na Comab, em Bento Gonçalves, percorrendo a região entre Lajeado, Estrela, Arvorezinha e Guaporé para vender produtos de escritório, como máquinas de escrever, calculadoras e bobinas. Nas passagens por Encantado, conheceu Altamir Gomes, então proprietário do Jornal Opinião, que o incentivou a mudar-se para o município e trabalhar no jornal.

No Opinião, integrou uma equipe formada por nomes como Arlete Biasebeti, Gisa Radaelli, Adriano Mazzarino, Bete Azevedo, Sandro Barreto e Airto Gomes. Sua principal função sempre foi a venda de publicidade. “Aprendi muito com o jornal, não só a questão profissional, como a minha sobrevivência. Meu ganha-pão foi ali”, afirma.

A ligação com o jornal também abriu espaço para outra paixão: a cultura italiana. Convidado pelo então gerente da Rádio Encantado, Silva Filho, Bigolin passou a apresentar um programa em italiano. Nascido em Bento Gonçalves, cresceu ouvindo o idioma em casa. “Com a nona era italiano, nas conversas entre homens era italiano. Hoje não sei o português correto, nem o italiano certo. Não aprendi nenhuma nem a outra!”, brinca.

Essa identidade também chegou às páginas do Opinião. Há cerca de duas décadas, escreveu uma coluna de piadas italianas, as “frótoles”, reunindo histórias encontradas em livros e nas conversas do cotidiano.

Bigolin recorda que Antes da chegada do asfalto, as viagens de trabalho eram marcadas por longos trechos de estrada de chão. Nova Bréscia, Anta Gorda, Putinga e Relvado estavam entre os destinos percorridos. “Era tudo estrada de chão. Era bem judiado”, recorda.

Entre as lembranças, está uma viagem a Putinga com Gisa Radaelli. Uma das rodas da Brasília do jornal se soltou e foi parar na horta de um morador. Depois do susto e do conserto em uma oficina local, seguiram viagem.

Outra história aconteceu com o Fusca azul do Opinião. Em uma viagem entre Ilópolis e Putinga, Bigolin percebeu fumaça saindo do motor. O carro estava em chamas. Ele pegou apenas a máquina fotográfica e se afastou, deixando no veículo os salames e queijos que havia comprado durante a viagem. O Fusca acabou completamente destruído. Para completar, o seguro havia vencido e não fora renovado.

As viagens também permitiram acompanhar uma transformação fundamental para a região: a chegada do asfalto. Bigolin recorda o momento em que uma máquina começou a abrir caminho na região de Santa Terezinha, no início da construção da ERS-332.

Para ele, a pavimentação mudou a realidade regional. “Hoje tu não és capaz de medir o que seria dessa região se não tivesse asfalto, se não tivesse a 332. O que seria até mesmo para o transporte da produção, para tudo?”, questiona.

Essas mudanças também foram registradas pelo Jornal Opinião, que acompanhou reivindicações, obras e acontecimentos importantes para a comunidade. Ao definir o que o jornal representa, escolhe uma única palavra: gratidão.

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