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ESPECIAL 55 ANOS DO JORNAL OPINIÃO: Altamir Gomes relembra os primeiros anos do Jornal Opinião e a construção de um legado regional

ESPECIAL 55 ANOS DO JORNAL OPINIÃO: Altamir Gomes relembra os primeiros anos do Jornal Opinião e a construção de um legado regional
  • Publicadoagosto 21, 2026

Quando recebeu o convite para comprar o Jornal Opinião, Altamir Gomes (Tchuim) trabalhava na lavagem de carros do posto Ipiranga, onde seu pai era gerente. A proposta partiu de Adilar Borghetti, que lhe contou que Olavo Carlos Wagner pretendia vender o semanário. No dia seguinte, Altamir já estava trabalhando no jornal.

Sem experiência específica em jornalismo, ele encarou o desafio com a disposição que, segundo ele, sempre marcou sua trajetória. “Toma conta, faz do teu estilo que eu vou pros municípios buscar o comercial, me disse o Adilar”, recorda. A experiência como presidente do Grêmio Estudantil da Escola Estadual Farrapos e de uma escola de samba que participava chamada Máfia Futebol Clube, ajudou a desenvolver a criatividade e a capacidade de liderança.

A primeira sede do jornal sob sua direção ficava no prédio do IPE, ao lado do Clube Recreativo, no Centro de Encantado. Na época, a produção era artesanal: os textos eram feitos em máquina elétrica, tabulados e posteriormente colados em folhas do tamanho das páginas que seriam enviadas à gráfica. Em meio às limitações, a equipe precisava encontrar soluções para manter o jornal funcionando e conquistar leitores e anunciantes.

“Era preciso ser criativo”, resume Altamir. Uma das estratégias foi oferecer assinaturas de dez anos, com pagamento antecipado e sem reajustes. Outra iniciativa foi a criação de uma rede de correspondentes nos municípios da região. Pessoas de diferentes comunidades enviavam informações, fotografias e até cartazes por ônibus. O material era transformado em notícias e publicado pelo Opinião.

A circulação chegou a abranger municípios como Guaporé, Dois Lajeados, Putinga, Arvorezinha, Ilópolis, Nova Bréscia, Relvado. Os correspondentes também ajudavam na venda de assinaturas e na distribuição dos exemplares, fazendo com que o jornal se aproximasse cada vez mais das comunidades.

Para Altamir, o Opinião nunca foi resultado do trabalho de uma única pessoa. Ele recorda colaboradores como Adriano Mazzarino, Gisa Radaelli, Neucir Bigolin, Gilson Conzatti (hoje o atual diretor do Opinião), André Vargas, Cláudio Roberto da Silva e tantos outros que ajudaram a construir o periódico. “O jornal nunca foi feito por uma só pessoa. Era feito por uma equipe”, afirma.

Entre as lembranças, estão as tradicionais jantas realizadas nas sextas-feiras, após o fechamento da edição, e episódios que revelam as dificuldades enfrentadas. Um deles ocorreu com a Brasília utilizada pelo jornal, que chegou a perder uma roda durante uma viagem a Putinga. Em outra ocasião, um incêndio na gráfica do jornal. Apesar do prejuízo, a equipe se mobilizou e a edição não precisou ser cancelada.

O jornal também promoveu eventos, premiações e encontros, levando o nome do Opinião para outras cidades e estados. Para Altamir, essas iniciativas ajudaram a aproximar a publicação da comunidade e ampliar sua presença.

Após cerca de 25 anos à frente do Opinião, Altamir vendeu o jornal a Luiz Carlos Sangalli, que posteriormente o repassou a José Raimundo Tramontini. O semanário passou ainda pelas mãos de Antônio Alberto Lucca e, atualmente, tem Gilson Conzatti como proprietário.

Ao olhar para essa trajetória, Altamir afirma que o maior legado está nas pessoas que passaram pelo jornal. “Muitos começaram sem experiência e, ao longo do tempo, cresceram profissionalmente e assumiram posições de destaque”, fala com orgulho.

Para ele, essa é uma das principais marcas dos 55 anos do Jornal Opinião: ter participado da formação de profissionais e, ao mesmo tempo, mantido uma relação próxima com a comunidade. “O Opinião é importante para muitas pessoas que estão aí na comunidade, que trabalharam no Opinião e que apostaram no Opinião”, resume.

Foto: Arquivo pessoal

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