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Afastamentos por burnout disparam e pressionam a Previdência Social

Afastamentos por burnout disparam e pressionam a Previdência Social
  • Publicadojaneiro 11, 2026

Você já sentiu um cansaço tão profundo que parece não ter descanso, mesmo após uma noite de sono? Essa sensação pode ser o sinal de burnout, uma síndrome de esgotamento profissional que tem levado cada vez mais trabalhadores a se afastarem do trabalho. Nos últimos quatro anos, os casos de afastamento por burnout aumentaram seis vezes, pressionando os recursos da Previdência Social. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que os auxílios-doença por esgotamento passaram de 823 em 2021 para 4.880 em 2024, um crescimento de 493%. Nos primeiros seis meses de 2025, já foram registrados 3.494 casos, o que representa quase 72% do total do ano anterior.

Esses números podem ser ainda maiores, pois o burnout nem sempre é facilmente identificado e pode ser registrado como outras doenças. Além disso, trabalhadores informais, que não contribuem para o INSS, ficam fora dessas estatísticas.

A empresária Carla Ramalho, de 34 anos, vivenciou essa realidade na pele. Enquanto trabalhava como gerente de marketing, ela enfrentou sintomas como insônia, irritabilidade, perda de memória e queda no desempenho. “Eu acordava mais cansada do que quando ia dormir”, conta Carla. Após o diagnóstico de burnout, ela precisou se afastar e, ao tentar retornar, sofreu uma crise de pânico que a levou a se desligar do emprego.

Em 2024, o INSS concedeu 472,3 mil auxílios-doença relacionados à saúde mental, incluindo depressão e ansiedade, de um total de 3,6 milhões de afastamentos. Em 2025, os transtornos mentais já representam um em cada sete afastamentos, quase igualando os casos de problemas ósseos e musculares, que são os mais comuns.

O impacto financeiro também é significativo. As despesas com auxílios relacionados à saúde mental cresceram 68% entre 2022 e 2024, passando de R$ 18,9 bilhões para R$ 31,8 bilhões. No mesmo período, os gastos totais da Previdência aumentaram quase 20%, chegando a R$ 876,9 bilhões.

Carla enfatiza que burnout não é uma questão de fraqueza, mas sim um problema de saúde reconhecido pela Organização Mundial da Saúde. “Se fosse um relacionamento que te levasse a esse estado, todo mundo diria para terminar. Burnout não é frescura, é doença.”

O governo está atento a essa crescente preocupação. Desde 2022, estudos analisam os impactos do pós-pandemia, considerando fatores como o home office, o tempo excessivo conectado e o aumento da informalidade no trabalho. Em 2023, o Ministério da Saúde reconheceu o burnout como doença ocupacional, garantindo direito ao auxílio-doença com estabilidade no retorno ao trabalho. Já o Ministério do Trabalho exige o mapeamento de riscos psicossociais nas empresas, mas a aplicação das multas para quem descumprir essa norma foi adiada para maio de 2026 devido à pressão de empregadores.

Essa situação revela a urgência de compreender e cuidar da saúde mental no ambiente profissional, um desafio que exige atenção de trabalhadores, empresas e governo para garantir qualidade de vida e segurança no trabalho.

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