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Adriane Zanotelli Fassini: a força feminina que ganhou espaço no tradicionalismo

Adriane Zanotelli Fassini: a força feminina que ganhou espaço no tradicionalismo
  • Publicadosetembro 28, 2026

“Nada é impossível, sempre temos alguma coisa para aprender e ensinar a alguém”

Aos seis anos, Adriane Zanotelli Fassini deu os primeiros passos em uma trajetória que, décadas mais tarde, a levaria a ocupar espaços de liderança dentro do tradicionalismo gaúcho. Acompanhando os irmãos mais velhos, começou a participar do CTG Paixão Cortes, em Nova Bréscia.

Foi na Invernada Pré-Mirim que Adriane começou a dançar, conviver e aprender os valores que levaria para a vida. Com o passar dos anos, vieram novas responsabilidades: a participação na Patronagem, o título de 1ª Prenda Adulta, nos anos de 1995 e 1996, e, mais tarde, já morando em Encantado, o desafio de assumir como patroa do CTG Giuseppe Garibaldi, escrevendo um capítulo significativo de sua história e também da entidade tradicionalista como a primeira mulher a ocupar o cargo de patroa.

A trajetória, no entanto, é marcada sobretudo pela disposição em trabalhar coletivamente, pela defesa da cultura gaúcha e pela crença de que os valores aprendidos no tradicionalismo podem fazer diferença muito além dos espaços dos CTGs. Aos 49 anos, natural de Nova Bréscia, Adriane concilia a vida familiar, a carreira profissional e a atuação tradicionalista. Formada em Ciências Contábeis pela Univates, trabalha há 26 anos na Dália Alimentos, como Analista de Crédito. No movimento tradicionalista, integra o Conselho de Ética da 24ª Região Tradicionalista e, desde 2024, faz parte do Conselho Diretor do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). “No Conselho Diretor que avaliamos, decidimos, e damos o norte para que todo o Rio Grande siga as mesmas diretrizes, sem perder a essência da nossa cultura e do legado deixado pelos nossos antepassados”, comenta.

Quando a tradição se transforma em solidariedade

Um dos momentos mais marcantes de sua caminhada dentro da cultura gaúcha aconteceu em setembro de 2023, durante a primeira grande enchente que atingiu a região. Naquele período, o CTG Giuseppe Garibaldi deixou temporariamente de ser apenas um espaço destinado às atividades tradicionalistas e transformou-se em um ponto de apoio para as forças civis e militares que trabalhavam na região. Durante 30 dias, a entidade acolheu cerca de 80 militares do Batalhão de Choque de Santa Maria. A estrutura também foi utilizada para preparar café da manhã, almoço e jantar para aproximadamente 700 pessoas.

Foi naquele momento que Adriane percebeu, de maneira ainda mais concreta, a força da união construída pelo tradicionalismo. Pais se revezavam na preparação dos alimentos e na limpeza do espaço. Amigos e integrantes de outros CTGs chegaram para ajudar. As diferenças e disputas que fazem parte das competições deram lugar à solidariedade. “Naquele momento éramos um só Centro de Tradições Gaúchas. Independente da disputa que temos em dias de rodeios no tablado, trabalhamos em família”, recorda. Para ela, aquela experiência revelou que a tradição também se manifesta na capacidade de acolher, servir e estender a mão.

Outro momento inesquecível aconteceu naquele mesmo ano, quando o CTG Giuseppe Garibaldi conquistou, pela primeira vez, a classificação para o domingo do ENART, em Santa Cruz do Sul. “Foi um momento de superação de todos nós, trabalho de um ano recompensado no sonho de pisar naquele tablado sagrado”, conta.

Mulheres que abrem caminhos

Na sua caminhada, Adriane também encontrou mulheres que se tornaram referências. Ela destaca Luce Carmen da Rosa Mayer, coordenadora da 24ª Região Tradicionalista, e Marilda de Oliveira, patroa do CTG Bento Gonçalves. São mulheres que, segundo Adriane, representam força, persistência e superação e mostram que não existem espaços que devam ser considerados exclusivamente masculinos.

Ela reconhece a presença feminina também na entidade em que atua. “No MTG ainda somos poucas mulheres, mas já percebo que fazemos a diferença, no momento das decisões, nas conversas e diálogos, as mulheres têm mais calma em suas ponderações, buscando sempre o melhor para todos, sem esquecer do legado deixado por nossos antepassados que nos orgulha tanto’, menciona.

Mais do que ocupar um cargo, Adriane entende a liderança feminina como uma oportunidade de contribuir e transformar os ambientes onde as mulheres estão inseridas. Entende que com o mundo globalizado e as novas concepções de família, a mulher em muitos lares é a chefe da casa, principal fonte de renda, além de aos poucos ocupar cargos que eram exclusivos dos homens, vendo essa mudança como positiva, contribuindo com as organizações e entidades que estão inseridas. “O olhar feminino sempre tem um carinho diferente, a mulher tem uma delicadeza e percepção que no campo masculino não acontece. O homem é mais razão, a mulher mais emoção e esse é o principal diferencial”.

Adriane comenta nunca ter sofrido preconceito onde atuou e ressalta que a colaboração e o trabalho conjunto sempre foram fundamentais. Para ela, o respeito e a educação é um dos maiores legados que podem ser deixados às próximas gerações. Salienta ainda que a igualdade de gênero passa por superar a ideia de que a mulher é frágil ou incapaz e reconhecer sua capacidade de liderar e atuar lado a lado com os homens.

Uma mensagem para seguir em frente

Casada há 27 anos com Luiz Angelo Fassini e mãe de Lorenzo Zanotelli Fassini, Adriane leva para a vida os valores que aprendeu em casa e no tradicionalismo. “Nada é impossível, sempre temos alguma coisa para aprender e ensinar a alguém, o futuro das nossas gerações depende de nós, nesse mundo acelerado que vivemos com a tecnologia correndo a passos largos, precisamos rever nossos conceitos e resgatar valores e ensinamentos que recebemos de nossos pais, a ética e o respeito, tendo empatia com o outro, e acreditar que existe um ser maior que guia nossa missão aqui”.

E, para as mulheres que ainda hesitam diante de um sonho, deixa um recado: “Sigam em frente, não deixem de fazer algo que vocês gostam só porque alguém acha que não é para você. A vida é feita de momentos, viva o seu momento, não importa o que o outro pense, o sonho é teu, ninguém mais tem o direito de opinar sobre ele. Seja feliz em tudo o que fizer.”

Foto: Arquivo pessoal

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