Uma severa onda de instabilidade climática acompanhada por tempestades de vento, chuvas intensas e forte queda de granizo atingiu em cheio os municípios da Região Alta do Vale do Taquari entre a noite de terça-feira (3 de novembro) e a madrugada de quarta-feira (4 de novembro). O evento meteorológico provocou estragos em série, deixando um rastro de destruição que mobilizou prefeituras, equipes de saúde, Secretarias de Obras e a Defesa Civil ao longo de todo o dia. Cidades como Relvado, Doutor Ricardo, Putinga, Anta Gorda, Vespasiano Corrêa, Dois Lajeados e Guaporé registraram severos danos estruturais, destelhamentos de imóveis residenciais, perdas de lavouras inteiras e interrupção no fornecimento de energia elétrica e comunicação.
A violência das pedras de granizo, que em determinados pontos ultrapassaram o tamanho de ovos de galinha, destruiu telhados, vitrais de igrejas e vidraças de redes de ensino, surpreendendo moradores tanto nas áreas urbanas quanto no interior. Comunidades rurais ficaram isoladas temporariamente devido à queda de árvores, galhos e ao acúmulo de escombros e barro nas vias de acesso. Diante da extensão das perdas agrícolas e imobiliárias, as administrações municipais iniciaram ações emergenciadas, com distribuição massiva de metros de lonas plásticas para conter a infiltração de água nas casas e vistorias técnicas para decretação oficial de Situação de Emergência.
A mobilização integrada busca agilizar recursos junto aos governos estadual e federal para prestar socorro imediato às centenas de famílias afetadas e restabelecer a infraestrutura básica e as vias públicas prejudicadas pelo temporal na região.
Doutor Ricardo
O temporal provocado por pedras de granizo de dimensões inéditas causou estragos diretos em ao menos 50 residências, além de atingir prédios públicos, estradas e a infraestrutura agrícola da zona rural. O impacto destruiu telhados e perfurou vitrais do santuário local e da Escola Municipal Olavo Bilac, afetando aberturas da fachada, sala de informática, salas de aula e auditório. Para manter as atividades escolares, a Secretaria de Educação atuou de forma emergencial vedando os locais com lonas.
Em entrevista concedida na manhã de quarta-feira (04), o prefeito Álvaro Giacobbo detalhou os severos prejuízos no município. Equipes da prefeitura e da Defesa Civil se mobilizaram no centro e no interior para desobstruir vias e entregar materiais de proteção. O interior ficou temporariamente sem energia elétrica. O gestor orientou que a população comunique os danos pelos canais oficiais, pediu calma e união à comunidade e alertou para o risco de novos episódios de tempestade. A administração formalizou o decreto de situação de emergência e busca auxílio junto às esferas estadual e federal.
Relvado
Em Relvado, a chuva de pedras, com volumes superiores ao tamanho de ovos de galinha, e os ventos fortes atingiram praticamente todo o território, prejudicando cerca de 150 famílias. Entre os pontos mais afetados estão Linha Salvação, Capoeirinhas, Volta Barreto, Linha Cruzeiro, Linha São Rafael, Linha Nova, Linha Pocinho, Barra Grande Alta e Baixa, Linha Cuias e Barra do Putinga, com estragos generalizados em residências, lavouras e na rede elétrica.
O prefeito Carlos Fraporti relatou a destruição de vias públicas, perdas agrícolas e demonstrou preocupação com as exigências burocráticas e os limites orçamentários do fim do ano para a prestação do socorro, confirmando os trâmites para o decreto de emergência e o pleito por doação de telhas junto ao Estado. Já o vice-prefeito e coordenador da Defesa Civil, Adalberto “Beto” Dalla Vecchia, destacou a pronta resposta desde a madrugada, com maquinário pesado desobstruindo acessos e a entrega de cerca de mil metros de lonas plásticas. Beto ressaltou prejuízos expressivos em lavouras de milho e fumo e em estruturas produtivas, como um criatório de suínos depredado e um aviário desmantelado que exigiu o remanejamento de mil aves. Ele acrescentou a liberação gradual das estivas e a articulação com a RGE para reabastecer as poucas comunidades ainda sem luz.
Vespasiano Corrêa
A força dos ventos, somada a precipitações superiores a 100 mm e intensa queda de pedras, causou severos prejuízos em Vespasiano Corrêa, danificando telhados na área urbana, propriedades rurais e estruturas do setor agropecuário. O temporal comprometeu aviários e causou perdas significativas no início da safra de milho, uva e citros. Por precaução, a concessionária RGE desligou o fornecimento elétrico em todo o município.
Em conversa com a reportagem do JO, o prefeito Tiago Michelon informou que a prefeitura restabeleceu os serviços de urgência com auxílio de geradores e mobilizou secretarias e Defesa Civil logo nas primeiras horas do dia. O foco inicial esteve na desobstrução de estradas bloqueadas por árvores ou bueiros rompidos e no atendimento prioritário a residências destelhadas com fornecimento de lonas. Michelon orientou os produtores e moradores atingidos a registrarem fotos georreferenciadas dos estragos para instruir o decreto municipal de emergência e facilitar acionamentos de seguro e financiamentos agrícolas. A despeito do expressivo prejuízo econômico, o município não registrou feridos nem vítimas fatais.
Previsões do El Niño para a Região
As projeções meteorológicas e os relatórios do Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática indicam a consolidação e atuação do fenômeno “El Niño” no Rio Grande do Sul. A tendência para os próximos meses é de um padrão marcado por chuvas frequentes e com volumes significativamente acima da média histórica. O aquecimento das águas do Oceano Pacífico aumenta a instabilidade atmosférica, elevando drasticamente a probabilidade de tempestades severas, rajadas de vento intenso e novos episódios de granizo localizado no Vale do Taquari. As autoridades e a Defesa Civil reforçam que os municípios devem manter ativos os seus planos de contingência e monitoramento de risco contínuo.
Texto: José Raimundo Tramontini
Fotos: Carina Marques e Divulgação

