Inteligência artificial é testada no RS para detecção precoce de câncer de boca
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) desenvolvem uma ferramenta de inteligência artificial voltada à detecção precoce do câncer de boca. O projeto foca o carcinoma espinocelular, tipo mais comum da doença, e pretende ampliar as chances de diagnóstico e tratamento em fases iniciais.
A proposta é automatizar a análise de células bucais coletadas de pacientes de risco, substituindo a inspeção manual por um sistema digital capaz de identificar alterações precoces no núcleo celular. A pesquisa, conduzida por profissionais das áreas de Odontologia e Informática, busca acelerar e ampliar o número de exames realizados com menor custo e maior agilidade.
O novo exame não substitui a biópsia, mas poderá complementar o diagnóstico clínico e apontar pacientes com maior ou menor probabilidade de desenvolver a doença. O estudo, que faz parte de uma pesquisa de doutorado, deve levar cerca de 10 anos para ser concluído.
A expectativa é que, após validação científica, o sistema possa ser implementado na rede pública de saúde para rastrear populações vulneráveis, como fumantes e consumidores frequentes de álcool. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) indicam que o Brasil registra cerca de 15 mil casos anuais da doença, com aproximadamente 6 mil mortes, sendo que mais de 60% dos diagnósticos ocorrem em estágios avançados.
