Brasil registra recorde histórico de processos criminais por racismo em 2025
Em 2025, o País bateu um recorde preocupante: foram 8,6 mil novos processos criminais por racismo, o maior número desde o início da série histórica em 2020. Isso representa um crescimento de 188% no total de ações. Atualmente, há 13,6 mil processos pendentes de julgamento.
A grande maioria, cerca de 97%, desses processos tramita nas Justiças estaduais. A Bahia lidera a lista, o que não surpreende considerando que é o Estado com a maior proporção de população negra no Brasil. Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Paraná também apresentam números elevados. São Paulo ocupa a oitava posição, com 663 processos.
Em 2025, os Estados com mais processos novos foram: Bahia (3.680), Minas Gerais (1.383), Santa Catarina (994), Rio de Janeiro (984) e Paraná (827). Outubro de 2025 foi o mês com maior número de processos novos, com uma média de uma ação por hora em todo o país.
A evolução anual mostra um crescimento contínuo: em 2020 foram 2.978 processos, subindo para 8.591 em 2025. Apesar do aumento nas denúncias, a representatividade negra no sistema judiciário ainda é baixa. Entre os 18.998 magistrados, apenas 2.714 são negros, cerca de 14,3%. Entre os servidores, o percentual é maior, 27,8%, mas ainda distante dos 55,5% da população que se identifica como negra, segundo o IBGE.
O racismo se manifesta principalmente em espaços de consumo e trabalho, conforme pesquisa “Viver nas Cidades: Relações Raciais”, realizada em dez capitais brasileiras. Os moradores apontam os estabelecimentos comerciais como locais com maior discriminação, seguidos pelo ambiente de trabalho e espaços públicos. A pesquisa ouviu 3.500 pessoas e revelou que 57% percebem diferença no tratamento em shoppings, lojas e outros comércios.
Salvador e Belém destacam-se com os maiores índices de percepção de discriminação nesses locais, enquanto Manaus apresenta o menor. Além disso, 10% dos entrevistados afirmaram não perceber diferença no tratamento entre negros e brancos, e 12% não souberam responder.
Esses dados mostram a urgência de políticas públicas e ações efetivas para combater o racismo estrutural no Brasil, especialmente em locais onde a convivência cotidiana deveria ser pautada pelo respeito e igualdade.
