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Trânsito Vale do Taquari

Presidente da EGR explica etapas da recuperação da ponte e diz que pedágio continuará sendo cobrado

Presidente da EGR explica etapas da recuperação da ponte e diz que pedágio continuará sendo cobrado
  • Publicadoagosto 7, 2026
Texto: Luís Gustavo Bettinelli

 

Luis Fernando Vanacor detalhou ao Jornal Opinião o cronograma da obra, explicou a rejeição de alternativas emergenciais e defendeu a manutenção do pedágio

presidente da EGR, Luis Fernando Vanacor – foto: reprodução EGR

A Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) trabalha com duas frentes para recuperar a ponte da ERS-129 sobre o Rio Guaporé, entre Encantado e Muçum. A informação foi confirmada pelo presidente da estatal, Luis Fernando Vanacor, em entrevista exclusiva ao Jornal Opinião, na qual detalhou o andamento dos trabalhos.

Segundo Vanacor, o projeto de reconstrução do pilar danificado seria entregue nesta terça-feira (5), permitindo o início da contratação da empresa responsável pela execução da obra. Como a situação foi enquadrada como emergencial, os prazos administrativos foram reduzidos para acelerar o processo.

Embora o projeto seja concluído agora, o presidente explicou que as obras devem começar efetivamente na próxima semana, após a aquisição de materiais e a definição das estratégias de execução.

 

Escoramento pode permitir liberação parcial

Vanacor revelou que o projeto prevê duas etapas distintas: a instalação de um escoramento metálico para aliviar a carga sobre o pilar comprometido e, posteriormente, a reconstrução definitiva da estrutura.

Segundo ele, o escoramento poderá oferecer condições para uma eventual liberação parcial da ponte, mas ressaltou que essa possibilidade dependerá de avaliações técnicas. “O escoramento vai substituir o esforço que hoje é suportado pelo pilar, permitindo que a reconstrução seja feita com segurança. Dependendo das avaliações, isso poderá permitir novamente a passagem de veículos, inicialmente leves e, eventualmente, até veículos de carga”, afirmou.

Apesar da possibilidade, Vanacor evitou criar expectativas e reforçou que qualquer decisão será baseada exclusivamente em critérios de segurança.

 

Ponte do Exército e passagem molhada foram descartadas

Durante a entrevista, o presidente da EGR explicou por que alternativas defendidas por parte da comunidade, como a instalação de uma ponte metálica do Exército ou uma passagem molhada, não são consideradas viáveis neste momento.

Segundo ele, uma passagem molhada seria frequentemente destruída pelas cheias do Rio Guaporé, exigindo manutenção constante e ficando inutilizada sempre que o nível da água aumentasse.

Já uma ponte metálica exigiria a construção de aproximadamente 1,5 quilômetro de acessos e aterros, além de enfrentar limitações estruturais. Vanacor explicou que a distância entre os pilares existentes não é compatível com esse tipo de estrutura e que a instalação poderia sobrecarregar os pilares remanescentes, além de dificultar a própria reconstrução do pilar danificado.

Outro fator apontado é a instabilidade do rio, que continua sujeito a novas elevações do nível da água durante o mês de agosto, inclusive por chuvas registradas nas cabeceiras do Rio Guaporé.

 

Pedágio: “Se deixarmos de cobrar, não teremos como pagar a reconstrução”, diz Vanacor

Questionado sobre os pedidos de suspensão da cobrança do pedágio durante a interdição da ponte, o presidente da EGR, Luiz Fernando Vanacor, descartou essa possibilidade. Ele afirmou que a empresa não possui outra fonte permanente de receita além da arrecadação das praças de pedágio, responsável por financiar tanto a reconstrução da ponte quanto as demais obras na malha rodoviária administrada pela estatal. “O único recurso disponível para fazer essa obra é o dinheiro arrecadado com o pedágio. Se deixarmos de cobrar, não teremos como contratar e pagar a reconstrução.”

Vanacor acrescentou que a suspensão da cobrança somente seria possível caso o Governo do Estado destinasse recursos para custear a obra, hipótese que, segundo ele, não está prevista no momento.

 

AMAT questiona

O posicionamento da EGR foi apresentado pelo Jornal Opinião ao presidente da Associação dos Municípios do Alto Taquari (AMAT), Álvaro Giacobbo, durante entrevista coletiva do Comitê Ponte ERS-129 Encantado/Muçum, realizada na manhã de terça-feira (4).

Ao comentar a justificativa da estatal, Giacobbo questionou o retorno dos recursos arrecadados ao longo das últimas décadas com a cobrança do pedágio. “Nós estamos há 30 anos pagando pedágio ali e muito pouco a gente viu acontecer.”

Na avaliação do presidente da AMAT, se a EGR afirma depender da arrecadação para reconstruir a ponte, cabe ao Governo do Estado decidir se aportará recursos para permitir uma eventual suspensão da cobrança. “A EGR fala o seguinte: ‘Para recuperar a ponte, precisamos do dinheiro do pedágio. Se levantar as cancelas, o governo tem que colocar o dinheiro’. Então, eles têm que se entender.”

Controle no desvio e alternativas

Vanacor informou ainda que a EGR passou a atuar diretamente no controle do tráfego na rota alternativa entre Roca Sales e Muçum, em conjunto com as prefeituras da região. Desde as 6h da última segunda-feira, está em funcionamento o sistema de pare e siga em dois pontos do trajeto pelo interior de Roca Sales. O fluxo é liberado de forma alternada nos dois sentidos, com intervalos iniciais de cerca de 20 minutos, ajustados conforme o volume de veículos.

 

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