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Médica hematologista defende que doação de plaquetas amplia chances de recuperação

Médica hematologista defende que doação de plaquetas amplia chances de recuperação
  • Publicadojunho 19, 2026

Dra. Mariana Pereira afirma que o procedimento ajuda no tratamento de pessoas com câncer, doenças hematológicas e casos de sangramentos graves

A doação de plaquetas tem papel fundamental no tratamento de pacientes que enfrentam doenças graves e dependem de transfusões para continuar seus tratamentos. Diferente da doação convencional de sangue, a qual pautamos na semana passada dentro da campana do Junho Vermelho, o procedimento utiliza um equipamento capaz de separar apenas as plaquetas, que são as células responsáveis pela coagulação e pelo controle de sangramentos, devolvendo ao doador os demais componentes sanguíneos.

Segundo a médica hematologista Mariana Pinto Pereira, responsável pelo Banco de Sangue Grupo Pulsa, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, a técnica, chamada aférese, é segura e permite coletar uma quantidade significativamente maior de plaquetas em uma única doação.

“As plaquetas são fundamentais para pacientes que apresentam risco de sangramento ou que possuem contagens muito baixas dessas células”, explica a especialista. O componente é amplamente utilizado no tratamento de pacientes com leucemias, outros tipos de câncer em quimioterapia, doenças da medula óssea, transplantes e situações de hemorragias graves. Em muitos casos, a transfusão é essencial para prevenir complicações e garantir a continuidade dos tratamentos.

A médica destaca que a doação por aférese possui uma importante vantagem. Enquanto uma doação convencional gera apenas uma unidade de plaquetas, a coleta específica permite obter o equivalente a aproximadamente 10 a 12 unidades provenientes de doações tradicionais. “Uma única doação por aférese pode fornecer toda a dose terapêutica necessária para um paciente adulto”, afirma.

Podem doar pessoas entre 18 e 69 anos, com mais de 50 quilos, em boas condições de saúde e aprovadas na avaliação clínica e laboratorial. Como as plaquetas possuem validade de apenas cinco dias, os estoques precisam ser constantemente renovados. “Cada doação representa uma oportunidade de tratamento para pacientes que dependem diariamente desse componente”, ressalta Mariana.

Para a médica, ampliar o número de doadores é essencial para garantir que pacientes em tratamento continuem recebendo um componente que, muitas vezes, pode representar a diferença entre interromper ou prosseguir uma terapia capaz de salvar vidas.

Doadores de Encantado transformaram solidariedade em compromisso permanente

Entre os doadores da região está Daniel Delazzeri, de 53 anos, motorista concursado da Prefeitura de Encantado, atualmente vinculado à Secretaria Municipal da Saúde. Doador de sangue há mais de três décadas, ele conheceu a doação de plaquetas em outubro de 2020, após um pedido de ajuda compartilhado em um grupo de WhatsApp para auxiliar Denise da Rosa Pretto.

Sem conhecer o procedimento, decidiu se voluntariar. Desde então, passou a enxergar a doação como uma forma concreta de oferecer esperança a quem enfrenta momentos delicados. “A motivação mesmo é a sensação de dar esperança a alguém que muito necessita”, relata. Para ele, o procedimento é tranquilo e o principal diferencial em relação à doação de sangue é apenas o tempo maior de duração.

Quem também participou daquela mobilização foi o vereador encantadense e radialista Cristiano Costa Bassani, de 48 anos. Já doador de sangue, ele aceitou o convite dos filhos de Denise, Clarissa e Diego, para ajudar a família e realizou a primeira doação de plaquetas. Apesar da apreensão inicial diante de um procedimento mais longo e complexo, decidiu seguir contribuindo. “Doar sangue é salvar vidas”, resume.

Os dois destacam que a solidariedade foi o principal motivo para aderirem à causa. Daniel lembra que muitas vezes os beneficiados são pessoas desconhecidas. Já Cris reforça que o receio não deve ser um obstáculo. “As pessoas não podem ter medo de doar sangue, de doar plaquetas”, afirma.

Cris Costa, já doador de sangue, também aceitou ajudar a encantadense Denise da Rosa Pretto, após convite da família.
Daniel Delazzeri, doador de sangue há mais de três décadas, conheceu a doação de plaquetas em 2020, após um pedido de ajuda no WhatsApp.

Texto – César Husak
Fotos – Divulgação/Arquivo pessoal

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