Um dos maiores icebergs já registrados, o A-23A, está em fase avançada de desintegração no oceano Antártico. O bloco, que flutua há quase quatro décadas desde que se desprendeu da plataforma de gelo Filchner, agora acumula grandes volumes de água de degelo em sua superfície. Essa água alterou sua coloração para um tom azul-claro, acelerando sua fragmentação.
Dados recentes indicam que o A-23A, que chegou a medir 4.000 km², perdeu mais de dois terços de sua área. Atualmente, possui cerca de 1.182 km². Cientistas preveem que o iceberg pode colapsar completamente ainda neste verão, impulsionado por correntes oceânicas em direção a regiões mais quentes.
As piscinas de água azul visíveis sobre o gelo são resultado do degelo superficial. Elas indicam pressão crescente nas estruturas internas do iceberg. O acúmulo de água líquida favorece a abertura de rachaduras, ampliando a instabilidade do bloco.
Estruturas lineares, formadas há centenas de anos quando o gelo ainda pertencia ao continente, também foram identificadas. Essas marcas, semelhantes a estrias, funcionam como canais naturais. Elas guiam a água por sulcos e depressões, acelerando o processo de degradação.
Imagens de satélite mostram vazamentos de água doce para o mar, com possíveis rupturas laterais. Esse tipo de escape, conhecido como “blowout”, geralmente indica que a estrutura entrou em colapso interno e se aproxima do fim.
Desde que se soltou do encalhe no mar de Weddell em 2020, o A-23A tem vagado em direção ao norte. O iceberg agora enfrenta águas com temperaturas em torno de 3 °C, quentes para os padrões antárticos. Ele navega por uma área conhecida como “cemitério de icebergs”.
