Graziela Lorenzi: uma trajetória dedicada ao Serviço Social
“Que nunca nos falte coragem para acreditarmos em nós mesmas, sabedoria para reconhecermos o nosso valor. Mulher é força, é coragem, é resistência e carrega sonhos, enfrenta dificuldades, desafios, e mesmo nos dias mais difíceis encontra motivos para continuar”
Há pessoas que escolhem uma profissão. Outras parecem nascer para ela. Com Graziela Sinara Gheno Lorenzi, 47 anos, a sensação é justamente essa: a de alguém que encontrou no Serviço Social não apenas uma carreira, mas uma missão de vida.
Assistente social formada pela UNISC, de Santa Cruz do Sul, Graziela construiu sua trajetória profissional unindo conhecimento, sensibilidade e compromisso com as pessoas. Casada com Rangel Lorenzi, mãe de Isabela, de 19 anos, Miguel, de 15, e da pet Amora, ela carrega consigo a essência de quem acredita no cuidado, na família e na força das relações humanas.
Natural de Encantado, tem o coração dividido entre os municípios de Vespasiano Corrêa e Roca Sales, cidades onde atua há anos conciliando sua rotina profissional de 20 horas em cada município. Funcionária pública efetiva, nunca deixou de buscar aprendizado. Possui três pós-graduações nas áreas de Docência em Serviço Social, Gerontologia e Terapia Familiar, sempre movida pela vontade de estudar, trocar experiências e ampliar conhecimentos.
Sua caminhada profissional começou cedo. Aos 16 anos, atuava como secretária em um escritório de assessoria para prefeituras. Foi ali que nasceu o interesse pela gestão pública e pela transformação social. Em 2005, iniciou oficialmente sua atuação como assistente social nos municípios de Doutor Ricardo e Encantado, além de prestar assessoria e consultoria para Relvado e colaborar com trabalhos em outras cidades da região.
Mas antes mesmo da formação acadêmica, a vocação já dava sinais. Durante um teste vocacional, o Serviço Social apareceu como caminho. “Sempre gostei de ajudar as pessoas, de ter empatia e lutar contra as desigualdades sociais”, resume.
O trabalho que transforma vidas
Ao longo de mais de duas décadas de atuação, Graziela acompanhou de perto as dores e as necessidades de inúmeras famílias. Seus estágios passaram pelo Hospital de Estrela, pela Unimed de Santa Cruz do Sul — em projetos voltados às comunidades mais vulneráveis — e pela Prefeitura de Encantado.
Com a implantação do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) viu a política pública de assistência social se fortalecer e ampliar sua atuação. Hoje, destaca a importância do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), dividido entre Proteção Básica, com foco preventivo, e Proteção Especial, voltada ao atendimento após violações de direitos. Principalmente após os desastres climáticos que atingiram o Rio Grande do Sul, Graziela percebeu o quanto os municípios precisaram se reorganizar diante da complexidade das demandas sociais.
Recentemente, ela foi homenageada em Restinga Seca, durante um Seminário Estadual, representando os trabalhadores da assistência social frente às situações de calamidade pública. O reconhecimento simboliza anos de dedicação e incansável ao cuidado com o próximo.
Mulheres que inspiram mulheres
Na caminhada profissional e pessoal, Graziela encontrou mulheres que ajudaram a moldar sua trajetória. Uma delas foi a engenheira civil Ana Delsa Tronco, sua chefe no primeiro emprego, descrita por ela como uma mulher dinâmica e inspiradora, sempre compartilhando conhecimento.
Outra grande referência foi a assistente social Valéria de Castro Caldas, com quem trabalhou na Prefeitura de Encantado. Foi nesse período que aprofundou experiências com grupos de famílias, visitas domiciliares, relatórios, pareceres e intervenções sociais.
Mas talvez a maior inspiração tenha vindo de dentro de casa. Sua mãe, Isolde Radaelli Gheno, já falecida, permanece viva em suas lembranças como símbolo de força e perseverança. Mesmo sendo semianalfabeta, Isolde incentivou a filha a estudar, acreditar nos sonhos e lutar pelos seus ideais. “Ela foi uma mulher forte, guerreira, que sempre lutou por seus ideais e me incentivou a estudar e a acreditar nos meus sonhos”, relembra emocionada.
Para Graziela, as mulheres têm papel essencial na construção de ambientes mais humanos e acolhedores. Ela acredita que a liderança feminina vai além do ato de comandar. “Liderar é orientar, transformar vidas com respeito, empatia e responsabilidade”, afirma.
Ela observa mudanças importantes na sociedade: mulheres ocupando espaços antes vistos como exclusivamente masculinos, assumindo cargos de liderança e se posicionando diante das injustiças. Ainda assim, acredita que a caminhada por igualdade e valorização continua sendo necessária.
Na assistência social, Graziela acompanha diariamente histórias marcadas por vulnerabilidade, sofrimento e superação. Entre mães solo, famílias em dificuldades financeiras, vítimas de violência e pessoas enfrentando sofrimento mental, seu trabalho é oferecer acolhimento sem julgamentos, fortalecendo vínculos e promovendo autonomia. “Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Nenhuma mulher precisa enfrentar tudo sozinha”, destaca.
Uma lição para a vida
Fora do trabalho, Graziela valoriza as coisas simples da vida, como o chimarrão, a culinária italiana e os momentos ao lado da família e amigos. Integrante da coordenação de invernada e dançarina do Grupo de Artes Nativas Anita Garibaldi (GAN), considera o grupo uma extensão de sua casa. Maio tem um significado especial para ela por reunir seu aniversário, o Dia das Mães, o Dia do Assistente Social e o Dia da Família — datas que refletem seus valores e sua trajetória. Entre os aprendizados da vida, carrega a certeza de que saúde, amor e afeto são essenciais, valorizando cada momento vivido ao lado de quem ama.
E deixa uma mensagem especial às mulheres: “Que nunca nos falte coragem para acreditarmos em nós mesmas, sabedoria para reconhecermos o nosso valor. Mulher é força, é coragem, é resistência e carrega sonhos, enfrenta dificuldades, desafios, e mesmo nos dias mais difíceis encontra motivos para continuar, pois sabe como ninguém o seu potencial. Somos únicas e especiais”.
