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Estudo inédito promete revolucionar detecção de câncer de pulmão no Brasil

Estudo inédito promete revolucionar detecção de câncer de pulmão no Brasil
  • Publicadoabril 2, 2026

Um estudo inédito começa a acompanhar de perto o rastreamento de câncer no pulmão no Rio de Janeiro, com promessas de mudar o panorama da detecção da doença no Brasil. A pesquisa, que durará dois anos, será guiada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio e a farmacêutica AstraZeneca.

O objetivo é claro: produzir evidências que possam ser replicadas em outros estados do Brasil, ampliando assim a capacidade de diagnóstico precoce. “O Inca quer que, a partir de um projeto piloto, nós possamos ampliar. Estamos trabalhando para produzir evidências que possam ser replicadas em outros estados do Brasil”, afirma Roberto Gil, diretor do Inca.

397 participantes com histórico de tabagismo serão analisados. O recrutamento incluirá pessoas cadastradas no SUS em programas para parar de fumar, com idade entre 50 e 80 anos, que sejam tabagistas ou tenham parado há pelo menos 15 anos.

A escolha do Rio de Janeiro não é acidental. A cidade apresenta alta incidência de doença pulmonar granulomatosa, um tipo de inflamação que forma pequenos nódulos de defesa no pulmão. Essa condição, que pode ser causada por infecções como a tuberculose ou por processos inflamatórios, frequentemente dificulta a identificação precoce do câncer de pulmão.

O estudo utilizará a tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD), um exame que apresenta radiação mais baixa e evita resultados falsos negativos. “Dois estudos, nos EUA e nos Países Baixos, notaram uma mortalidade 20% menor a partir do rastreamento com esse exame. É o tipo de evidência que modela decisões maiores sobre diretrizes nacionais”, explica Arn Migowski, responsável pela condução do estudo.

A pesquisa também avaliará o custo de todo o processo – do rastreamento ao tratamento – para o sistema de saúde público, além de monitorar a ansiedade causada por laudos falsos positivos nos pacientes. “Será uma base real para sabermos quanto de investimento deverá ser feito. São condições de comparar e projetar o que é custo-efetivo”, aponta o diretor do Inca.

Para quem receber diagnóstico positivo, o acompanhamento e tratamento serão realizados no Hospital do Câncer I (HC I), uma das unidades do Inca. A prevenção continua sendo a principal arma: não fumar e, para quem já fuma, parar o quanto antes.

“Vamos trazer para a vida real. Será possível seguir com informações reais e quanto é exequível num país como o nosso, com características como as nossas. É um marco que é testemunhar essas evidências locais para um impacto nacional”, conclui Gustavo Prado, da Aliança de Combate ao Câncer de Pulmão.

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