Estudo de pesquisador gaúcho aponta obra desconhecida de Michelangelo Buonarroti em Roma
Uma pesquisa conduzida por um professor da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), no Rio Grande do Sul, revelou indícios de que uma escultura até então considerada anônima pode ser, na verdade, uma obra do artista renascentista Michelangelo Buonarroti.
O estudo identificou características anatômicas específicas no busto de Cristo Salvador, localizado na Basílica de Sant’Agnese fuori le Mura, que reforçam a ligação com o mestre italiano. Entre os elementos analisados está a presença de uma veia jugular externa dilatada — detalhe recorrente em esculturas consagradas do artista, como “David” e “Moisés”.
De acordo com os pesquisadores, esse traço não indica uma condição médica, mas sim o profundo conhecimento anatômico de Michelangelo, que costumava representar reações fisiológicas do corpo humano em situações de esforço ou emoção.
Além da análise visual, a pesquisa também resgatou registros históricos que reforçam a autoria. Um guia publicado em 1693 já atribuía a obra ao artista, mencionando a existência de um Cristo feito por Michelangelo no local. Uma edição posterior, de 1715, acrescenta que o busto seria em mármore, corroborando a identificação da peça.
As evidências reunidas contestam hipóteses mais recentes que datavam a escultura entre os séculos XVIII e XIX, indicando que a obra é, na verdade, do século XVI — período em que Michelangelo esteve em plena atividade.
O estudo foi publicado em revista científica internacional e ganhou repercussão na Itália, reacendendo o debate sobre a autoria de obras históricas e destacando a contribuição de pesquisadores brasileiros para a redescoberta de peças do patrimônio artístico mundial.
Foto: Divulgação/Ufcspa
