Ex-proprietário do Jornal Opinião, Luiz Carlos Sangalli guarda na memória uma trajetória marcada pelo compromisso com a informação e pela importância que o periódico conquistou junto à comunidade de Encantado. Ao relembrar os anos em que esteve à frente do jornal, de 1989 a 1998, Sangalli destaca pessoas que fizeram parte dessa história, os desafios da época e a relação de proximidade que o veículo mantinha com os leitores e perdura até hoje.
A primeira lembrança de Sangalli quando pensa no Jornal Opinião é a figura de Adriano Mazzarino. Para ele, o jornalista era um profissional visionário e de personalidade forte, conhecido por dizer o que pensava independentemente de quem pudesse ser contrariado. “Ele não tinha papas na língua. Falava o que tinha que falar, independente de quem ia doer ou não”, recorda.
Mazzarino teve participação importante na administração do jornal. Segundo Sangalli, durante determinado período, ele atuou praticamente como diretor da publicação, tendo liberdade para conduzir o trabalho editorial. A autonomia, entretanto, não significava ausência de cobranças. “Muitas vezes eu tinha que puxar a orelha dele”, brinca.
A chegada de Sangalli ao Jornal Opinião ocorreu com a compra da empresa jornalística que era de seu sobrinho Altamir Gomes, o qual estava indo se estabelecer em Novo Hamburgo. Na aquisição, ele também contou com a colaboração de algumas pessoas, entre elas Nivaldo Magagnin. Mesmo sendo proprietário, Sangalli afirma que sua presença na rotina do jornal era pequena. Como também administrava outras empresas, confiava a condução do periódico à equipe. “Eu ia muito pouco. Eles tinham liberdade total. Era como se eu não existisse no jornal”, relembra.
Essa autonomia ajudou a preservar, na visão de Sangalli, uma das principais características do Opinião: a credibilidade. Para ele, o jornal ocupava um espaço importante na vida da comunidade, especialmente em uma época em que o acesso às informações era muito diferente do que ocorre atualmente. O jornal era aguardado pelos moradores, principalmente às sextas-feiras. “Todo mundo ficava esperando o jornal chegar para saber das novidades da cidade”, recorda.
Durante sua gestão, o Opinião também passou por mudanças e períodos de expansão. “O jornal nunca deu muito dinheiro. O que a gente tentava era que ele se mantivesse”, afirma. Mais do que o retorno financeiro, Sangalli destaca que havia uma preocupação em garantir a continuidade de um veículo que considerava importante para a comunidade.
Ao ser perguntado sobre qual frase definiria para o Jornal Opinião, resume sua percepção em duas palavras: “Um jornal honesto”. A definição está relacionada, segundo ele, à capacidade que o periódico tinha de informar independentemente das relações políticas de seus proprietários. “Eu gostava dessa pureza do jornal”, afirma. Para ele, essa “pureza” estava justamente na busca por apresentar os fatos sem deixar que a posição política de determinado personagem interferisse na informação. Mesmo anos depois, Sangalli acredita que essa essência permaneceu.
Ele reconhece a contribuição que o periódico teve e continua tendo para a região. “Eu nunca deixei de ter simpatia e carinho pelo jornal porque eu achava, e acho até hoje, que ele prestou muitos serviços e continua prestando à nossa comunidade.”
