El Niño eleva risco de enchentes, mas repetição de tragédia de 2024 não pode ser cravada
O retorno do fenômeno El Niño ao longo de 2026 volta a acender o sinal de alerta para o risco de chuva excessiva e enchentes no Rio Grande do Sul. A tendência, segundo análise meteorológica, é de que o aquecimento do Pacífico ganhe força na segunda metade do outono, entre maio e junho, com intensificação no segundo semestre e reflexos mais significativos sobre o regime de chuva no Estado.
Historicamente, episódios de El Niño costumam aumentar a frequência e o volume das precipitações no Sul do Brasil, especialmente entre o segundo semestre do ano de instalação do fenômeno e os primeiros meses do ano seguinte. Nesse cenário, o período de maior preocupação para o Rio Grande do Sul deverá se concentrar entre a segunda metade de 2026 e o primeiro semestre de 2027.
A projeção remete ao comportamento observado no último ciclo do fenômeno, iniciado em 2023. Naquele período, o Estado enfrentou enchentes severas em diferentes momentos, com episódios marcantes em junho, setembro e novembro de 2023, culminando na catástrofe climática registrada entre o fim de abril e maio de 2024.
Apesar da semelhança no pano de fundo climático, especialistas alertam que não é possível afirmar, com antecedência, que haverá repetição de um desastre nas mesmas proporções do ocorrido em 2024. Isso porque, além do El Niño, a tragédia do ano passado foi influenciada por uma combinação rara de fatores atmosféricos e oceânicos que atuaram simultaneamente e potencializaram de forma excepcional os volumes de chuva sobre o território gaúcho.
Entre esses elementos estavam o aquecimento anormal do Atlântico Tropical, bloqueios atmosféricos que favoreceram o transporte de umidade para o Sul do Brasil, o contraste entre massas de ar quente e frio sobre o continente e condições específicas da circulação atmosférica no Hemisfério Sul. A atuação conjunta desses mecanismos contribuiu para criar um cenário extremo, considerado incomum.
Diante disso, a avaliação é de que o risco de novas enchentes nos próximos meses é elevado, inclusive com possibilidade de episódios graves no Rio Grande do Sul e em outros estados do Sul. Ainda assim, a dimensão exata desses impactos dependerá de fatores que só poderão ser analisados com maior precisão em previsões de curto e médio prazo.
A tendência, portanto, é de aumento da atenção ao comportamento do clima já a partir do fim do outono, com perspectiva de maior risco durante o inverno, a primavera e também no outono de 2027.
Fonte: MetSul Meteorologia, com análise dos meteorologistas Luiz F. Nachtigall e Estael Sias.
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