Whatsapp
Clima

El Niño eleva risco de enchentes, mas repetição de tragédia de 2024 não pode ser cravada

El Niño eleva risco de enchentes, mas repetição de tragédia de 2024 não pode ser cravada
  • Publicadomarço 20, 2026

O retorno do fenômeno El Niño ao longo de 2026 volta a acender o sinal de alerta para o risco de chuva excessiva e enchentes no Rio Grande do Sul. A tendência, segundo análise meteorológica, é de que o aquecimento do Pacífico ganhe força na segunda metade do outono, entre maio e junho, com intensificação no segundo semestre e reflexos mais significativos sobre o regime de chuva no Estado.

Historicamente, episódios de El Niño costumam aumentar a frequência e o volume das precipitações no Sul do Brasil, especialmente entre o segundo semestre do ano de instalação do fenômeno e os primeiros meses do ano seguinte. Nesse cenário, o período de maior preocupação para o Rio Grande do Sul deverá se concentrar entre a segunda metade de 2026 e o primeiro semestre de 2027.

A projeção remete ao comportamento observado no último ciclo do fenômeno, iniciado em 2023. Naquele período, o Estado enfrentou enchentes severas em diferentes momentos, com episódios marcantes em junho, setembro e novembro de 2023, culminando na catástrofe climática registrada entre o fim de abril e maio de 2024.

Apesar da semelhança no pano de fundo climático, especialistas alertam que não é possível afirmar, com antecedência, que haverá repetição de um desastre nas mesmas proporções do ocorrido em 2024. Isso porque, além do El Niño, a tragédia do ano passado foi influenciada por uma combinação rara de fatores atmosféricos e oceânicos que atuaram simultaneamente e potencializaram de forma excepcional os volumes de chuva sobre o território gaúcho.

Entre esses elementos estavam o aquecimento anormal do Atlântico Tropical, bloqueios atmosféricos que favoreceram o transporte de umidade para o Sul do Brasil, o contraste entre massas de ar quente e frio sobre o continente e condições específicas da circulação atmosférica no Hemisfério Sul. A atuação conjunta desses mecanismos contribuiu para criar um cenário extremo, considerado incomum.

Diante disso, a avaliação é de que o risco de novas enchentes nos próximos meses é elevado, inclusive com possibilidade de episódios graves no Rio Grande do Sul e em outros estados do Sul. Ainda assim, a dimensão exata desses impactos dependerá de fatores que só poderão ser analisados com maior precisão em previsões de curto e médio prazo.

A tendência, portanto, é de aumento da atenção ao comportamento do clima já a partir do fim do outono, com perspectiva de maior risco durante o inverno, a primavera e também no outono de 2027.

Fonte: MetSul Meteorologia, com análise dos meteorologistas Luiz F. Nachtigall e Estael Sias.

Foto: Imagem Ilustrativa/Pexels

-+=