Da sala de aula à reitoria: a trajetória inspiradora de Evania Schneider na Univates
“Cada passo dado por nós contribui para abrir caminhos para outras mulheres. A liderança feminina é fundamental para uma sociedade mais justa e equilibrada, e ocupar esses espaços é, também, um compromisso com as futuras gerações”
A história da reitora da Univates, Evania Schneider, é marcada por constância, dedicação e um profundo compromisso com as pessoas. Sua caminhada até o cargo mais alto da instituição não foi repentina, mas construída ao longo de três décadas de atuação acadêmica e administrativa, sempre guiada pela convicção de que a educação é uma poderosa ferramenta de transformação social.
Evania iniciou sua trajetória na Univates em 1996, como professora, atuando diretamente na formação de estudantes e gestores, especialmente na área de gestão de pessoas. Com o passar dos anos, assumiu diferentes funções dentro da instituição — coordenação de cursos, participação em conselhos institucionais, direção de centro e, posteriormente, a Diretoria de Desenvolvimento de Pessoas. Cada etapa ampliou sua visão, consolidando o entendimento de que a universidade vai muito além do ensino: é um espaço complexo, conectado ao desenvolvimento humano e regional. Ao assumir a reitoria em 2021, Evania reconheceu que essa trajetória representa uma construção coletiva. “Foi um caminho sustentado pelo diálogo, pela confiança e pelo compromisso com as pessoas”, destaca.
Origens que moldam valores
Natural de Bom Retiro do Sul, filha de agricultores, Evania cresceu em um ambiente onde o trabalho e a responsabilidade eram aprendizados diários. Desde cedo, ajudava nas atividades da família e, aos 14 anos, iniciou sua vida profissional em uma indústria calçadista em Teutônia, seguindo sempre com os estudos.
Sua formação acadêmica inclui graduação em Ciências Contábeis pela então Fundação Alto Taquari de Ensino Superior, graduação em Administração, especializações em Recursos Humanos e Gestão Universitária, além de mestrado em Administração pela UFRGS. Paralelamente, construiu uma sólida carreira como consultora em gestão de pessoas por cerca de 20 anos, experiência que fortaleceu ainda mais sua atuação na universidade. “Minha história é também marcada pela família, que sempre esteve presente como base de valores e apoio nas decisões profissionais”, acrescenta.
A educação como missão de vida
A escolha pela carreira acadêmica veio do desejo de trabalhar com pessoas e contribuir para o desenvolvimento humano por meio da educação. Para Evania, a universidade é um espaço de transformação, onde conhecimento e formação caminham lado a lado. “A sala de aula me permitiu acompanhar trajetórias, estimular reflexões e preparar profissionais para os desafios do mundo do trabalho”. Com o tempo, a atuação na gestão ampliou esse impacto, permitindo contribuir também nas decisões estratégicas da instituição.
Referências femininas e inspiração
Ao longo de sua caminhada, Evania foi inspirada por diversas mulheres, tanto no âmbito pessoal quanto profissional. “Minha mãe, Maria Clélia, teve um papel fundamental, já que ressaltava, desde cedo, a importância dos estudos como caminho de transformação. No ambiente acadêmico e profissional, também encontrei mulheres que exerceram liderança com sensibilidade, competência e firmeza, demonstrando que é possível conciliar diferentes dimensões da vida com responsabilidade e propósito”, comenta.
Para ela, a diversidade nos espaços de decisão enriquece os processos e amplia perspectivas. No ambiente educacional, essa representatividade ganha ainda mais relevância, pois a formação de novas gerações exige diversidade de referências e lideranças que representem diferentes trajetórias e realidades.
Ao longo da sua trajetória, conta que enfrentou resistências ao ocupar espaços tradicionalmente masculinos, superando-as com firmeza, preparo e diálogo. Conduziu essas situações com profissionalismo, reforçando que a liderança se baseia em competência, diálogo e resultados.
Às jovens mulheres que desejam trilhar caminhos de liderança, Evania deixa um conselho: investir na formação, acreditar no próprio potencial e persistir diante dos desafios. “A liderança exige preparo técnico, sensibilidade e capacidade de escuta. Também é importante buscar redes de apoio, compartilhar experiências e compreender que a trajetória se constrói ao longo do tempo, com persistência e propósito”, diz.
Desafios e conquistas à frente da reitoria
Liderar a Univates, segundo ela, é uma responsabilidade significativa, mas também uma experiência profundamente gratificante. A instituição mantém forte vínculo com a comunidade e atua diretamente no desenvolvimento regional — um compromisso que Evania busca fortalecer continuamente.
Entre os momentos mais desafiadores de sua gestão estiveram a condução da universidade durante a pandemia de Covid-19 e os impactos dos eventos climáticos extremos no Vale do Taquari entre 2023 e 2024. Períodos que exigiram decisões rápidas, planejamento estratégico e, sobretudo, cuidado com estudantes, professores e colaboradores.
Apesar dos desafios, as conquistas são motivo de orgulho. Evania destaca o fortalecimento institucional, a ampliação das ações de ensino, pesquisa e extensão, além da consolidação de uma gestão centrada nas pessoas, baseada no diálogo e no trabalho coletivo. Com olhar voltado para o futuro, seu legado desejado é contribuir para uma universidade cada vez mais inovadora, comprometida com as pessoas e com a formação de cidadãos capazes de transformar a sociedade. A reitora destaca ainda o papel fundamental da universidade na formação de lideranças femininas, por meio de oportunidades acadêmicas, programas de desenvolvimento e políticas institucionais que promovam equidade e valorização da diversidade.
Uma mensagem para o futuro
Às mulheres, deixa uma mensagem que ecoa para além dos muros da universidade, enaltecendo que é possível construir trajetórias com dedicação, estudo e confiança: “Cada passo dado por nós contribui para abrir caminhos para outras mulheres. A liderança feminina é fundamental para uma sociedade mais justa e equilibrada, e ocupar esses espaços é, também, um compromisso com as futuras gerações”.
