Da fotografia ao turismo, a trajetória inspiradora de Ruti Vendramin Tramontini
“Jamais vá dormir sem ter aprendido algo novo. Sempre é tempo de aprender. Nunca é tarde para correr atrás dos seus sonhos”
Algumas histórias não seguem um roteiro previsível — elas se constroem a partir da sensibilidade de perceber oportunidades e da coragem de avançar e sempre aprender. Assim é a trajetória de Rutineia Joana Vendramin Tramontini, a Ruti, uma mulher que transformou o amor pela cidade natal em missão de vida.
Natural de Encantado, Ruti tem 51 anos e construiu sua base familiar ao lado do marido, Leonardo Tramontini, e dos filhos Arthur e Breno, gêmeos de 18 anos, e Bia, de 13. Sua história profissional começou no Jornal Opinião, na época a convite de Gisa Radaelli, mas foi na fotografia que encontrou, por muitos anos, sua principal forma de expressão e profissão. Atuando em eventos, festas e estúdio, ela eternizou momentos de inúmeras famílias da região.
Muito antes do turismo entrar em sua vida, Ruti já desenvolvia uma habilidade essencial para o que viria depois: o contato com pessoas. Criada em um ambiente de comércio familiar, aprendeu desde cedo a lidar com públicos diversos — experiência que moldou sua comunicação, empatia e desenvoltura.
O impacto do turismo
O ponto de virada aconteceu durante a pandemia, quando o projeto do Cristo Protetor começava a ganhar força. Diante da novidade que se desenhava para a cidade, ela se fez uma pergunta simples, mas decisiva: quem estaria preparado para atuar nesse novo cenário turístico?
A resposta veio em forma de atitude. Ruti decidiu estudar. Ingressou em uma graduação tecnológica em Gestão de Turismo, fez curso técnico de Guia de Turismo, buscou formação pedagógica e acumulou diversos cursos complementares. Para ela, a preparação nunca foi opcional — sempre foi o caminho.
Com o avanço das obras do Cristo Protetor e a chegada crescente de visitantes, seu trabalho começou a ganhar destaque. A procura por seus serviços cresceu, impulsionada pela forma acolhedora e segura com que conduz grupos. Hoje, atua como guia de turismo regional, nacional e também na América Latina, além de trabalhar como agente de turismo na agência Kondor, comercializando pacotes e acompanhando viajantes por diferentes destinos, inclusive fora do Brasil.
Ser credenciada pelo Ministério do Turismo é, para Ruti, um marco fundamental. Mais do que uma formalidade, representa o reconhecimento de uma profissão séria, regulamentada e que exige responsabilidade.
Entre tantos momentos vividos nessa nova fase, um permanece inesquecível: o içamento dos braços e da cabeça do Cristo Protetor. “Foi o dia em que a cidade parou para olhar para o céu”, recorda. Um instante que simbolizou não apenas o avanço de uma obra, mas o nascimento de uma nova identidade para Encantado, agora projetada para o mundo.
E é justamente nesse ponto que sua atuação ganha ainda mais significado. Trabalhar com turismo na própria cidade fortalece o vínculo que sempre teve com suas origens. Ruti guia visitantes com o orgulho de quem conhece cada detalhe, cada história — como quem apresenta a própria casa. Seu conhecimento aliado à vivência local transforma cada experiência em algo autêntico e marcante.
Inspiração profissional
Ao longo da caminhada, ela buscou inspiração em profissionais que conduzem seus negócios com ética, seriedade e dedicação. Mais do que referências femininas específicas, admira atitudes que elevam o nível do turismo e mostram a força necessária para enfrentar os desafios do setor.
Para Ruti, a presença feminina no turismo é marcada por competência e sensibilidade. Ela acredita que as mulheres trazem um olhar mais empático, capaz de se adaptar a diferentes públicos e tornar as experiências mais humanas.
Liderança feminina
Sobre liderança, enaltece que “a mulher é por natureza sinônimo de força e superação. Quando uma mulher assume um determinado cargo ela se torna exemplo para tantas outras que se inspiram ou se encorajam para também dar um passo a mais”. Sua trajetória é prova disso — construída com confiança, sem se deixar limitar por estereótipos ou inseguranças. Ao contrário, sempre encarou desafios com naturalidade e firmeza.
Ruti afirma nunca ter enfrentado preconceito por ser mulher. Em sua experiência, o preparo, a dedicação e as habilidades sempre falaram mais alto. E acredita que, com o passar das gerações, essa percepção tem evoluído: hoje, cada vez mais, são as competências que determinam quem ocupa determinados espaços.
Aprendizados da vida
Uma lição que carrega consigo é: “nosso futuro depende das nossas atitudes, não dos outros”, menciona. Uma filosofia que traduz sua própria história — feita de escolhas conscientes e movimento constante.
Sua mensagem para as mulheres é um convite à ação. “Jamais vá dormir sem ter aprendido algo novo. Sempre é tempo de aprender. Nunca é tarde para correr atrás dos seus sonhos”. Para Ruti, as mulheres podem desempenhar qualquer papel, desde que estejam preparadas e capacitadas.
Mais do que uma trajetória profissional, a história de Ruti é um exemplo de que propósito se constrói com coragem, dedicação e amor pelo que se faz. Entre registros fotográficos e roteiros turísticos, ela segue conectando pessoas, histórias e lugares — sempre com o olhar sensível de quem nunca deixou de aprender. Em cada passo, reafirma que o verdadeiro destino não é apenas onde se chega, mas aquilo que se constrói ao longo do caminho.
