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Última década foi a mais quente já registrada, diz agência da ONU

Última década foi a mais quente já registrada, diz agência da ONU
  • Publicadomarço 24, 2026

A World Meteorological Organization (WMO) informou que o período de 2015 a 2025 foi o mais quente já registrado na série histórica, desde o início das medições em 1850. O relatório Estado do Clima Global 2025 foi divulgado nesta segunda-feira (23), Dia Mundial da Meteorologia.

O ano de 2025 está entre os mais quentes já registrados, com cerca de 1,43 grau Celsius (°C) acima dos níveis pré-industriais (1850-1900).
O secretario-geral da ONU, António Guterres, classificou o estado do clima global como uma emergencia e afirmou que o planeta Terra esta sendo levado alem de seus limites. Ele destacou que os principais indicadores climaticos estao em alerta maximo.
O relatorio aponta que as concentracoes de gases de efeito estufa impulsionam o aquecimento continuo da atmosfera e dos oceanos e o derretimento de geleiras.

Eventos extremos em todo o mundo, incluindo calor intenso, chuvas torrenciais e ciclones tropicais, causaram transtornos e devastacao. Esses fenomenos evidenciaram a vulnerabilidade das economias e sociedades interconectadas. Alguns dos impactos em cascata sao a inseguranca alimentar e o deslocamento de pessoas.

O relatorio incluiu balanco sobre equilibrio energetico da Terra como um dos indicadores climaticos. Esse balanco mede a taxa de energia que entra e sai do sistema terrestre. Em um clima estavel, a energia solar recebida e proxima a quantidade de energia irradiada.
No entanto, o aumento das concentracoes de gases de efeito estufa que retêm calor, como o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso, tem levado ao desequilibrio do indicador. Segundo o estudo, o desequilibrio energetico aumentou desde o inicio das observacoes em 1960, especialmente nos ultimos 20 anos.

Como resultado dessa condicao, 91% do excesso de calor e armazenado no oceano, que atua como um amortecedor contra o aumento das temperaturas em terra. O derretimento das geleiras do Artico e da Antartida também tem avancado, ja que 3% do excesso de energia aquece e derrete o gelo.

O aquecimento dos oceanos e o derretimento do gelo impulsionam a elevacao, a longo prazo, do nivel medio do mar, que se acelerou desde o inicio das medicoes por satelite em 1993. As alteracoes no aquecimento dos oceanos e no pH das profundezas oceânicas sao irreversiveis em escalas de tempo que variam de seculos a milenios.

Em 2025, o calor armazenado no oceano, ate uma profundidade de 2 mil metros, atingiu o nivel mais alto desde o inicio dos registros em 1960, superando o recorde anterior estabelecido em 2024. As consequencias desse aquecimento incluem a degradacao dos ecossistemas marinhos, a perda de biodiversidade e a reducao do sumidouro de carbono oceânico.

A WMO alerta que as mudancas climaticas tem impactos abrangentes na mortalidade, nos meios de subsistencia, nos ecossistemas e nos sistemas de saude. Alem disso, aumentam os riscos de doencas transmitidas por vetores e pela agua e representam fator de estresse relacionados a saude mental, especialmente entre as populacoes vulneraveis.

De acordo com a entidade, mais de um terço da forca de trabalho global, cerca de 1,2 bilhao de pessoas, enfrenta riscos relacionados ao calor no local de trabalho, especialmente nas areas da agricultura e da construcao civil. Alem dos impactos na saude, a situacao causa perdas na produtividade e nos meios de subsistencia.

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