Rio Grande do Sul e a dura realidade dos feminicídios em 2025
O Rio Grande do Sul enfrenta uma realidade dolorosa e alarmante em 2025: o número de feminicídios subiu para 80 casos, contra 73 no ano anterior. Desde o começo do ano, duas mulheres já tiveram suas vidas interrompidas pela violência de gênero, deixando famílias em luto e uma sociedade que precisa urgentemente assumir sua responsabilidade. Esses episódios não são isolados, mas indicam um problema estrutural que demanda ações contínuas do poder público, com orçamento adequado e medidas efetivas, além do compromisso firme de toda a comunidade.
O feminicídio é o resultado mais cruel de uma série de violências que muitas vezes começam com controle, medo, humilhação e omissão. Por isso, enfrentá-lo exige mais do que indignação: é necessário implementar políticas públicas, fortalecer redes de proteção, ampliar a informação e investir em educação.
Nesse contexto, a Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa tem um papel fundamental como espaço permanente de acolhimento, orientação e encaminhamento das denúncias. Durante meu mandato à frente da Procuradoria, trabalhei para dar voz às mulheres, cobrar políticas públicas e garantir o cumprimento das leis. No ano passado, junto com colegas parlamentares, apoiei a recriação da Secretaria das Mulheres.
No entanto, combater a violência de gênero vai além da resposta ao crime consumado. A prevenção passa pela educação, que deve abordar temas como respeito, igualdade, direitos das mulheres e enfrentamento da violência desde a infância. As escolas precisam ser espaços de formação cidadã, onde crianças e adolescentes aprendam que a violência não é normal, aceitável ou privada.
Enquanto o feminicídio continuar presente em nossa sociedade, não podemos nos permitir a indiferença. Proteger as mulheres é dever do Estado e compromisso de todos. Cada feminicídio representa uma falha social que deve ser enfrentada com coragem, políticas efetivas e educação, pois nenhuma mulher pode perder a vida simplesmente por ser mulher.
Patrícia Alba
Deputada Estadual (MDB) e Presidente da Comissão de Educação da ALRS
