O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (11) que vídeos divulgados nas redes sociais sobre a suspensão de produtos da marca Ypê tentam transformar uma decisão técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em disputa política.
A declaração ocorreu após a repercussão da suspensão e posterior liberação de lotes de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da marca. Segundo Padilha, a atuação da Anvisa não possui motivação ideológica ou partidária.
“A Anvisa não tem lado de governo, não tem lado partidário, não tem lado A ou B”, afirmou o ministro durante entrevista à imprensa.
Padilha destacou ainda que a análise envolvendo os produtos também passou pelo setor de vigilância sanitária do Estado de São Paulo, governado por Tarcísio de Freitas, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro também mencionou que o diretor da Anvisa responsável pela área técnica que recomendou a suspensão, Daniel Meirelles, foi indicado durante o governo Bolsonaro.
Na última quinta-feira (7), a Anvisa publicou resolução determinando a suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes específicos de produtos da Ypê com numeração final 1, após identificação de irregularidades em etapas consideradas críticas do processo produtivo.
Dois dias depois, a medida foi suspensa após recurso apresentado pela empresa. Apesar disso, a orientação para que consumidores evitem utilizar os produtos citados permanece válida até a conclusão do recolhimento oficial.
Após a repercussão do caso, apoiadores da direita passaram a publicar vídeos consumindo detergente da marca como forma de contestar a decisão da Anvisa. Os conteúdos viralizaram nas redes sociais. Padilha criticou a prática e alertou para os riscos à saúde.
Foto: Walterson Rosa/MS
