Acordar antes das 3h30 da manhã, enfrentar quilômetros de estrada, lidar com o trânsito, cumprir horários e, acima de tudo, transportar vidas com segurança. Essa é a rotina de Juliano Gonzatti, motorista profissional que há mais de quatro décadas encontrou no volante muito mais do que uma profissão: uma missão.
A trajetória começou de forma simples, como ajudante em uma transportadora de Encantado. Após alguns anos, veio a oportunidade de assumir o volante e descobrir uma vocação que o acompanha até hoje. “Comecei a gostar de dirigir e nunca mais me imaginei fazendo outra coisa”, resume.
Durante 23 anos na Rápido Encantado, acumulou experiência e aprendizado. Foi ali que construiu a base da carreira e conheceu de perto os desafios da estrada. Há 19 anos, aceitou um novo desafio: o transporte de pacientes para atendimento em saúde. Desde então, leva diariamente moradores de Encantado e região a hospitais e clínicas, principalmente em Porto Alegre.
O trabalho exige muito mais do que habilidade para dirigir. É preciso paciência, equilíbrio emocional e sensibilidade para lidar com pessoas que, muitas vezes, enfrentam momentos delicados. “A gente trabalha com seres humanos que já carregam um problema. Às vezes é preciso ouvir, ajudar e acolher”, conta.
Entre tantos momentos vividos, um permanece vivo na memória: a enchente histórica de 2024. Com estradas destruídas e cidades isoladas, o Vale do Taquari enfrentou um dos períodos mais difíceis de sua história. Ainda assim, o transporte de pacientes não parou. Por desvios improvisados, estradas secundárias e caminhos que mudavam diariamente, Juliano e tantos outros motoristas “da saúde”, enfrentaram longas jornadas para garantir que pessoas doentes chegassem aos hospitais e pudessem dar continuidade aos seus tratamentos. Em meio ao cenário de destruição, o compromisso com a vida falou mais alto.
A dedicação impressiona. Em quase duas décadas na área da saúde, Juliano afirma nunca ter faltado nem se atrasado um único dia. A jornada começa ainda de madrugada e só termina quando o último paciente retorna para casa.
A profissão também exige compreensão da família, da esposa Cristiana e das filhas Ana Júlia e Ana Sofia. A ausência em muitos momentos, o desgaste físico e emocional e a responsabilidade diária fazem parte da rotina. “Quem trabalha com saúde precisa ter calma, paciência, responsabilidade e, principalmente, dom”, afirma.
Neste 25 de julho, Dia do Motorista, a história de Juliano Gonzatti representa milhares de profissionais que, muitas vezes longe dos holofotes, enfrentam o trânsito, o cansaço, as madrugadas, os dias e até situações extremas para cumprir sua missão. Mais do que conduzir veículos, eles transportam vidas, sonhos e esperança. Uma profissão que merece respeito, reconhecimento e gratidão todos os dias.
Fotos: arquivo pessoal

