Central de Atendimento à Mulher ultrapassou 1 milhão de atendimentos em 2025
A Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180 registrou um marco preocupante em 2025: foram 1.088.900 atendimentos ao longo do ano, um aumento expressivo de 45% em relação a 2024. Na prática, isso representa uma média de 3 mil ligações por dia, entre denúncias, pedidos de orientação e busca por apoio na rede de proteção.
O dado, por si só, já revela uma maior procura por ajuda. Ao mesmo tempo, expõe um cenário mais profundo e alarmante: a escalada da violência contra a mulher no país, que, em 2026, também se reflete no aumento dos casos de feminicídio.
Violência psicológica lidera os registros
Entre os tipos de violência relatados, a violência psicológica aparece como a mais frequente. Muitas vezes invisível e silenciosa, ela inclui ameaças, manipulações, humilhações e controle — práticas que, embora não deixem marcas físicas, causam danos profundos e podem representar o início de um ciclo mais grave.
Especialistas alertam que esse tipo de violência costuma anteceder agressões físicas e, em casos extremos, pode evoluir para o feminicídio.
Crescimento nos atendimentos reflete dois movimentos
O aumento nos atendimentos pode indicar dois movimentos simultâneos:
- maior conscientização das mulheres, que estão denunciando mais;
- aumento real da violência, impulsionado por fatores sociais, econômicos e culturais.
A leitura mais preocupante surge quando esses números são cruzados com dados recentes de 2026, que apontam índices elevados de feminicídio em diversas regiões do país. Em muitos desses casos, havia histórico de violência prévia — inclusive psicológica — que não foi interrompida a tempo.
Rede de apoio ainda é desafio
Embora o Ligue 180 seja uma porta de entrada fundamental, o avanço dos números também evidencia falhas estruturais, como:
- dificuldade de acesso à rede de proteção;
- demora na concessão de medidas protetivas;
- subnotificação de casos;
- dependência financeira e emocional das vítimas.
Para especialistas, o combate à violência contra a mulher exige mais do que canais de denúncia: é necessário fortalecer políticas públicas, garantir acolhimento eficaz e atuar de forma preventiva.
O serviço funciona gratuitamente, 24 horas por dia, em todo o Brasil, e pode ser acessado de forma anônima. Ele orienta, acolhe e encaminha denúncias aos órgãos competentes. Diante de um cenário em que os números crescem — tanto nas denúncias quanto nos casos mais extremos —, romper o silêncio continua sendo um dos principais caminhos para evitar que a violência chegue ao seu desfecho mais trágico.
Foto/Créditos: Imagem Ilustrativa/Pexels
