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Brasil Geral

Gastos de deputados federais com aluguel de carros, barcos e aeronaves sobem 18%

Gastos de deputados federais com aluguel de carros, barcos e aeronaves sobem 18%
  • Publicadodezembro 28, 2025

Você sabia que entre 2019 e 2024 os gastos dos deputados federais brasileiros com aluguel de carros, barcos e aeronaves cresceram cerca de 18%, descontada a inflação? Somando o período de 2019 a 2025, essas despesas já ultrapassam R$ 279 milhões, e a tendência é que esses valores ainda subam, pois os dados de 2025 ainda estão em processo de fechamento.

Esse dinheiro sai do chamado “cotão”, uma cota parlamentar que cada deputado usa para diversas despesas, como manutenção de escritórios e compra de passagens. O valor que cada deputado recebe varia conforme o estado pelo qual foi eleito, considerando as diferenças de custos como passagens aéreas. Por exemplo, deputados do Distrito Federal recebem cerca de R$ 36,6 mil mensais, enquanto os de Roraima têm acesso a R$ 51,4 mil.

A situação ganhou destaque recentemente por uma operação da Polícia Federal que investiga supostas irregularidades no uso desses recursos para aluguel de veículos. Dois deputados do PL-RJ, Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, foram alvo da ação após a polícia encontrar R$ 430 mil em espécie em endereço ligado a Sóstenes. A investigação aponta que uma empresa de locação teria continuado a receber pagamentos mesmo após sua dissolução irregular, o que levanta dúvidas sobre a transparência dessas operações.

Entre os parlamentares que mais gastaram com esses aluguéis na atual legislatura está Éder Mauro (PL-PA), que já usou cerca de R$ 883,5 mil para alugar carros e barcos. Ele ressalta que o aluguel de embarcações é fundamental para alcançar municípios da região Norte, onde o acesso é predominantemente fluvial.

Essa situação revela uma complexa realidade: o transporte por rios é essencial em estados como Pará e Amazonas, mas a utilização da verba pública para custear esses deslocamentos levanta questões importantes sobre fiscalização e transparência.

Os deputados envolvidos negam irregularidades e afirmam que os valores pagos são compatíveis com o mercado. Sóstenes Cavalcante atribui o dinheiro em espécie à venda recente de um imóvel, enquanto Carlos Jordy diz que a empresa de locação é usada desde seu primeiro mandato e critica a operação policial.

Esse caso revela a necessidade de maior controle e clareza no uso das verbas públicas para despesas parlamentares, especialmente em tempos em que a sociedade exige mais responsabilidade e ética dos representantes eleitos.

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