O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o Brasil pode desempenhar papel estratégico no fornecimento de minerais de terras raras aos Estados Unidos, em meio à disputa global por recursos naturais considerados essenciais para a tecnologia e a indústria.
A declaração foi feita durante participação na Conservative Political Action Conference, realizada no Texas, no último sábado (28). Na ocasião, o parlamentar destacou que o país sul-americano poderia ajudar os norte-americanos a reduzir a dependência em relação à China na produção desses insumos.
Segundo ele, o Brasil tende a se tornar um “campo de batalha” geopolítico na disputa por minerais críticos, como as chamadas terras raras — um conjunto de elementos fundamentais para a fabricação de produtos tecnológicos, incluindo smartphones, carros elétricos e equipamentos militares.
Durante o discurso, o senador também defendeu maior atenção internacional às eleições brasileiras e sugeriu pressão diplomática externa para garantir o funcionamento das instituições democráticas no país.
As falas geraram forte repercussão no cenário político brasileiro. Integrantes do governo e parlamentares de oposição criticaram a declaração, apontando preocupação com possível alinhamento a interesses estrangeiros. A ministra Gleisi Hoffmann afirmou que o posicionamento indica “subserviência” a interesses externos, enquanto outros políticos classificaram a fala como prejudicial à soberania naciona.
As terras raras são consideradas estratégicas na economia global, especialmente diante da crescente demanda por tecnologias avançadas e energias renováveis. Atualmente, a China domina grande parte da produção e do processamento desses minerais, o que aumenta o interesse de outras potências, como os Estados Unidos, em diversificar fornecedores.
O Brasil, que possui reservas relevantes desses recursos, surge nesse contexto como potencial protagonista em futuras parcerias internacionais no setor mineral.
Foto: Leandro Lozada/AFP
