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Brasil Política

Do voto no papel à era digital: A trajetória e a evolução da democracia eleitoral no Brasil

Do voto no papel à era digital: A trajetória e a evolução da democracia eleitoral no Brasil
  • Publicadooutubro 2, 2026

Texto: José Raimundo Tramontini

 

A história das eleições no Brasil é um reflexo direto da própria construção da cidadania e da luta por direitos no país. Desde o período imperial, quando o sufrágio era censitário e restrito a uma elite privilegiada de homens proprietários, o sistema eleitoral brasileiro passou por profundas transformações até alcançar a universalização do voto e a modernização tecnológica que conhecemos hoje.

Um dos marcos mais significativos dessa trajetória foi a conquista do voto feminino, oficializado pelo Código Eleitoral de 1932. Movimentos liderados por pioneiras como Berta Lutz foram fundamentais para que as mulheres brasileiras pudessem não apenas votar, mas também ser votadas, rompendo séculos de exclusão política e redefinindo os rumos da participação social no país.

Outro ponto de inflexão histórico ocorreu com a redemocratização e a promulgação da Constituição de 1988, que garantiu o voto universal e facultativo aos jovens de 16 a 17 anos e aos maiores de 70 anos, além de estender o direito aos analfabetos. Essa inclusão massiva transformou as urnas em um verdadeiro retrato da pluralidade da sociedade brasileira.

No entanto, a grande revolução operacional aconteceu em 1996, com a introdução da urna eletrônica. O sistema automatizado eliminou as fraudes crônicas associadas ao voto em papel, reduziu drasticamente o tempo de apuração e trouxe celeridade, segurança e transparência ao processo.

Hoje, o sistema eleitoral brasileiro é reconhecido internacionalmente pela sua robustez tecnológica e pela eficiência na coleta e totalização dos votos. Mais do que escolher representantes, cada eleição consolida o pacto democrático brasileiro, unindo passado, presente e futuro em prol da soberania popular.

 

Quem e o que está em disputa nas urnas

Neste domingo, milhões de brasileiros retornam às urnas para exercer o direito cívico e definir os rumos políticos do país. O pleito abrange a escolha de representantes para cargos fundamentais dos Poderes Executivo e Legislativo: presidente da República, governadores estaduais, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.

O universo de pessoas aptas a votar alcança 158.745.463 eleitores em todo o território nacional e no exterior. Desse total expressivo, as mulheres continuam a ser maioria, somando 83.877.126 eleitoras (cerca de 52,8%), enquanto os homens totalizam 74.845.001 votantes (cerca de 47,2%).

O cadastro também contempla os eleitores jovens de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, totalizando 1,6 milhão de adolescentes, além de quase 17 milhões de eleitores com mais de 70 anos, faixa em que o voto também deixa de ser obrigatório.

Geograficamente, o eleitorado brasileiro distribui-se de forma desigual entre as regiões. O Sudeste concentra a maior parcela, com aproximadamente 42% do total nacional, seguido pelo Nordeste, que abriga cerca de 27,5% dos eleitores. A região Sul vem na sequência com 14,4%, enquanto o Norte e o Centro-Oeste reúnem, respectivamente, cerca de 8,3% e 7,6% do colégio eleitoral brasileiro.

Do outro lado do processo, milhares de candidatos disputam as vagas em aberto nos parlamentos e nos governos. Embora as mulheres representem a maioria do eleitorado, a participação feminina nas candidaturas ainda encontra barreiras, registrando cerca de 34,8% dos registros oficiais, frente a pouco mais de 65% de candidaturas masculinas. A disputa envolve centenas de cargos majoritários e milhares de cadeiras proporcionais, moldando a representatividade que ditará a agenda política nacional nos próximos anos.

 

O perfil do eleitor gaúcho

O Rio Grande do Sul conta com 8.526.233 eleitores aptos a participar do pleito, consolidando um importante colégio eleitoral no cenário nacional. O perfil demográfico gaúcho é marcado pela predominância feminina, com as mulheres representando 53% do total de votantes. O processo democrático no estado também engloba a participação facultativa de milhares de jovens entre 16 e 17 anos, somando dezenas de milhares de eleitores nessa faixa etária inicial.

Nas urnas, os gaúchos definem os cargos do Executivo estadual e as cadeiras legislativas em diferentes esferas. Para a Câmara dos Federal, por exemplo, o estado registra centenas de candidatos na disputa pelas 31 vagas disponíveis em Brasília. Além disso, o pleito abrange a renovação de assentos na Assembleia Legislativa e a escolha de dois representantes para o Senado Federal, mobilizando de forma intensa a política regional.

A disputa reflete os debates sobre representatividade e pluralidade política. Embora sejam maioria expressiva no eleitorado geral, as mulheres ainda enfrentam barreiras estruturais para alcançar paridade numérica entre os registros de candidaturas oficiais aos cargos majoritários e proporcionais. A movimentação nas zonas eleitorais de todo o estado traduz o engajamento cívico da população na escolha dos rumos políticos para os próximos anos.

 

Como votar no domingo

Para votar de forma rápida e correta, a recomendação é levar a famosa “colinha” (recorte nesta página) em papel com os números digitados na ordem correta da urna eletrônica. Em 2026, nas Eleições Gerais, a votação segue esta sequência:

Deputado Federal (4 dígitos)

Deputado Estadual (5 dígitos)

Senador (3 dígitos), sendo dois votos

Governador (2 dígitos)

Presidente (2 dígitos)

Após digitar cada número, confira a foto do candidato e pressione a tecla verde CONFIRMA. O uso do celular na cabine de votação é proibido.

Recomendações Importantes

Conferência: Ao digitar o número do candidato, confira na tela a foto, o nome e o partido. A urna faz uma breve pausa de segurança para validação dos dados antes de liberar a gravação.

Confirmação: Estando tudo correto, aperte a tecla verde CONFIRMA. Para corrigir uma digitação incorreta, pressione a tecla laranja CORRIGE e digite o número novamente.

Documentos e Celular: Apresente um documento oficial com foto (como RG, CNH ou e-Título) aos mesários. Lembre-se de que é proibido portar celular, câmera ou qualquer outro aparelho eletrônico dentro da cabine de votação.

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