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Encantado

Capela Santo Antão: um marco centenário da fé e da história encantadense

Capela Santo Antão: um marco centenário da fé e da história encantadense
  • Publicadomarço 27, 2026

Comunidade preserva memória, relíquias históricas e tradições que atravessam gerações

A Igreja Santo Antão de Encantado é reconhecida como a primeira capela do município. Concluída em 1889, a edificação carrega mais de um século de histórias que ajudam a contar a formação da comunidade local e a força da fé de seus moradores.

Entre os guardiões dessa memória estão Danilo e Maria Elisa Bertuol, casal que participa ativamente da comunidade. Durante oito anos, eles integraram a diretoria e, nesse período, despertaram um interesse ainda maior em preservar e conhecer a história da comunidade. Com dedicação e zelo, passaram a reunir documentos históricos. Entre eles, como um livro-caixa datado de 1904 e uma fotografia de 1927 que retrata a festa da comunidade daquele ano.
Uma das narrativas mais marcantes remonta a 1892, durante a bênção da capela realizada pelo padre Eugênio Steinat, que na época veio do município de Estrela. Conforme contam tradições orais, ao chegar à entrada, o sacerdote teria afirmado: “Não sou digno de entrar de calçado”, adentrando no local descalço. Na época, o piso era feito de tijolos dispostos lado a lado. De acordo com registros históricos, o terreno foi doado por Giovani Rosetto e Anna de Conto.

A tela presente no altar, datada de 1714, é uma verdadeira relíquia. A obra, trazida da Itália, é atribuída ao pintor Michiele Bratti e passou por restauração em 1868, conforme inscrição no verso. A peça chegou ao Brasil por iniciativa de Giovanni e Antônio Bratti, primeiros colonizadores de Encantado, que solicitaram ao pai, Andrea Bratti, que morava na Itália, por meio de carta, um objeto para a capela dedicada a Santo Antão. Além dessa obra, outra tela representando Nossa Senhora e o bispo Atanásio — amigo de Santo Antão e responsável por registrar sua história — também foi enviada. Atualmente, ambas compõem o altar e passaram por restauração mais recente em 2016.
Junto às telas, vieram cálices, candelabros, vestimentas e paramentos litúrgicos. Já a imagem de Santo Antão, presente no interior da igreja, foi doada pelas Irmãs do Imaculado Coração de Maria, na época em que funcionava ao lado o Colégio Santo Antão.
União

A capela foi construída por meio do esforço coletivo de famílias da comunidade, como Bratti, Buffon, Rosetto, Bertozzi, Zuchetti, Echer, Vanzetta e Castoldi. Em sistema de mutirão, os moradores produziram os próprios tijolos no bairro Lambari, utilizando barro pisoteado por cavalos e o colocavam em caixas de madeira, que empilhavam em círculo e faziam fogo no meio para assim secar. Depois, eram transportados de carroça e como havia uma subida com um gramado em frente, uma corrente humana era feita e os tijolos, passando de mão em mão, até o local de construção da capela.

Apesar das reformas ao longo dos anos, a igreja preserva sua essência. As janelas, o marco da porta e até dois ciprestes plantados na época da inauguração permanecem no local. A pintura atual da igreja também se aproxima do tom original. O sino da igreja é outro elemento histórico, datado de 1909 e fabricado na Itália pela empresa Colbachini. Para adquiri-lo, moradores realizaram doações.
A igreja abriga ainda outras imagens de santos, entre elas a de São Geraldo, padroeiro das gestantes e a imagem de Nossa Senhora da Dormição, que simboliza o repouso de Maria antes de sua ascensão ao céu.
A vida em comunidade

A festa do padroeiro é celebrada em 17 de janeiro, data do falecimento de Santo Antão que nasceu em 251 d.C e faleceu em 365, aos 105 anos. A programação é uma das principais comemorações da comunidade, com missa, bênção do sal e almoço festivo.
O casal Mário e Leandra Vieceli, ministros da comunidade desde 2003, comentam que de segunda a sexta-feira e no primeiro sábado de cada mês, às 7h30min, é rezado o terço; e todos os domingos, às 8h, celebrado o culto. Além da assistência litúrgica à comunidade, uma vez por mês eles fazem a visita aos doentes, levando o santíssimo. “É um prazer e uma alegria estar colaborando para as pessoas se encontrarem. É aconchegante estar na capela”, comenta Leandra.

O casal também recebe os visitantes e peregrinos explicando sobre a história da primeira capela de Encantado. Nesta semana, um grupo de 80 pessoas de São Miguel das Missões esteve conhecendo a igreja e também diversos pontos turísticos locais. Visitações à igreja podem ser realizadas mediante agendamento.Outra programação da comunidade é o tradicional jantar. Neste ano, o evento ocorre no dia 18 de abril, a partir das 20h30min, com animação da dupla Zé e Elias. As fichas podem ser adquiridas antecipadamente com membros da diretoria ou no sábado e domingo à tarde no Pavilhão da Comunidade.

O atual presidente da comunidade, Márcio Scatolla, convida a todos para participarem da programação. Ele também enfatiza que a Comunidade Santo Antão é um importante ponto de encontro para os moradores com diversas atividades ao longo do ano, tendo vários grupos como o Clube de Mães, Cursilhistas, Ministros e o Grupo de Catequese, que desempenham um papel importante na formação religiosa e social.

Danilo e Maria Elisa Bertuol mostram vários documentos antigos e fotos da capela e falam de vários aspectos históricos da comunidade
Foto mais antiga da comunidade do Santo Antão retrata festa de 1927 – Foto: Reprodução

Fotos: Gisele Feraboli

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